Juros de empréstimos caem ao nível de março de 2001
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terça-feira, 23 de março de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - As taxas de juros dos empréstimos bancários às pessoas físicas tiveram uma redução de 32,6% entre março do ano passado e fevereiro. ''Apesar de menor do que os 37,7% de queda da Selic, a diminuição das taxas em 12 meses é considerável'', avaliou ontem o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes.
A variação fez que o custo do dinheiro tomado junto às instituições financeiras recuasse 20,9 pontos porcentuais de 85,1% para 64,2% ao ano, a menor taxa desde os 63,5% de março de 2001. ''A Selic, no mesmo período, teve queda de 10 pontos porcentuais, saindo de 26,5% para 16,5% ao ano'', ressaltou o chefe do Depec.
Os dados do BC mostram que, mesmo com os juros estacionados em 16,5% entre dezembro e fevereiro, a trajetória de corte das taxas bancárias para o clientes comuns foi mantida. Esse movimento continua em março.
Nos primeiros nove dias úteis do mês, as taxas já haviam recuado 0,7 ponto porcentual, pouco menos do que o 1,2 ponto porcentual de redução verificada ao longo de todo mês de fevereiro. ''Este é um dado ainda muito do começo do mês e que não reflete a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir os juros de 16,5% para 16,25% ao ano na reunião da semana passada'', explicou o chefe do Depec. A redução, apesar de pequena, já foi suficiente para trazer os juros ao mesmo nível de março de 2001.
Nas operações com pessoas jurídicas, o movimento foi inverso e as taxas subiram 0,7 ponto porcentual no começo do mês, de 30,2% para 30,9% ao ano. A queda dos juros das operações de crédito pessoal foi outro ponto destacado pelo chefe do Depec. ''Os juros do crédito pessoal de 76,6% ao ano em fevereiro são os menores desde junho de 2001, quando a taxa estava em 74,4%'', disse.
A redução, neste caso, vem sendo impulsionada pelo aumento das operações de crédito com desconto em folha. ''Percebemos que está havendo uma migração do cheque especial para o empréstimo em consignação'', disse Lopes, que ainda não dispõe de dados abertos sobre esta modalidade de empréstimo bancário.
O chefe do Depec acredita que ainda há espaço para novas quedas dos juros do crédito pessoal em função de a taxa ainda não ter batido no piso histórico de 67,3% ao ano verificado em janeiro de 2001.
Em relação ao cheque especial, o movimento de queda dos juros também continuou em fevereiro. Os bancos reduziram em 0,6 ponto percentual a taxa média cobrada para pessoa física, que ficou em 142,9% ao ano.


