Brasília - O Banco Central acredita que a redução de 1,5 ponto porcentual na taxa básica de juros anunciada na semana passada irá contribuir para a expansão do crédito nos próximos meses. Hoje, o mercado está parado. Entre maio e junho, o total das operações concedidas pelos bancos, sem incluir os direcionamentos obrigatórios como empréstimos habitacionais e rurais, ficou praticamente estável. Houve um pequeno crescimento de 1,2% nas operações com empresas puxado pelas linhas para capital de giro.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes, depois de mais uma redução dos juros este mês, os bancos incluíram novas quedas nas suas projeções e têm antecipado reduções nas taxas para seus clientes. ''Mantida a tendência de redução no custo de captação dos bancos, dentro de um cenário de inadimplência baixa e estável, deveremos ter uma dinamização das operações de crédito daqui para frente'', argumenta Lopes. ''O crédito concedido ainda é muito baixo'', completa, lembrando que todo o estoque de financiamento concedido pelo sistema financeiro - cerca de R$ 381 bilhões - representava em junho apenas 24,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em maio, esse estoque era de R$ 379,9 bilhões, correspondente a 24,4% do PIB.
Levantamento feito pelo BC mostra que em junho caíram moderadamente as taxas cobradas nas principais modalidades de crédito, refletindo, segundo o chefe do Depec, a queda de 0,5 ponto porcentual da Selic ocorrida naquele mês. Ainda assim, os juros estão num nível muito elevado. No caso de pessoas físicas, a taxa média cobrada nos empréstimos era de 81,4% ao ano. Esse valor é mais alto do que o cobrado pelos bancos no auge da crise de confiança na economia brasileira, em outubro do ano passado: 79,3% ao ano. Em maio deste ano, essa taxa era de 83,7% ao ano.
De outubro de 2002 para junho deste ano, o cenário econômico mudou radicalmente. O risco País caiu, a taxa de câmbio se estabilizou e a inflação dá sinais de convergência para a trajetória esperada pelo governo. Isso tudo se refletiu numa queda de 4,9 pontos porcentuais na taxa paga pelos bancos para captar dinheiro no mercado, que passou de 27,8% para 22,9% ao ano.
Esse ganho, no entanto, não foi repassado para os clientes, já que a taxa média de empréstimos subiu mais 2,1 pontos porcentuais: 79,3% para 81,4% ao ano. O resultado é que o spread (a diferença entre a taxa de captação e a de repasse nos empréstimos) subiu de 51,5% para 58,5% ao ano. No mesmo período, a inadimplência das pessoas físicas passou de 7,9% para 8,8%.
''O movimento de elevação (das taxas) é pronto mas, para cair, é preciso ter condições mais sólidas. Os juros estão numa tendência de queda e isso tende a dinamizar o crédito'', justificou Lopes. Nos últimos dias, os juros do mercado futuro apresentaram uma correção, dando sinais de maior lentidão na queda dos juros ao consumidor final.

mockup