Prepare-se para um início de ano difícil. As perspectivas econômicas para 98 não são nada otimistas, especialmente para o primeiro trimestre. Nesse período deverão ser mais sentidos os efeitos da elevação das taxas de juros e ainda do aumento de impostos. As taxas de juros serão mantidas também no segundo semestre. A partir de abril, se a crise no Sudeste Asiático for contornada, o governo terá um espaço maior para seguir com a queda dos juros e ir tirando aos poucos as amarras da economia. E, por tratar-se de um ano de eleições, é possível contar com algum aquecimento econômico no segundo semestre.
O País deverá ter um tímido crescimento e o desemprego tende a aumentar. Segundo projeção do Conselho Regional de Economia, Corecon-SP, o Produto Interno Bruto (PIB) tende a crescer apenas 1%. Mas para assegurar os atuais postos e ainda absorver os que ingressam no mercado de trabalho essa expansão deveria ser de 6%. E se houver dificuldades para manter o emprego, mais complicado será obter reajustes pela inflação. Poucas categorias vão conseguir isto; os sindicatos já abandonam a idéia da reposição no mesmo valor. A briga agora é para manter o emprego.
Por conta dessas incertezas e porque o crédito deve continuar caro, o mais indicado parece ser racionalizar os gastos da pessoa física, juntar o dinheiro, mantê-lo aplicado à base de juros, que estarão generosos, e comprar à vista. Já o crédito para a compra de imóvel deverá ser mais farto com o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).
Ainda que a situação fique mais tranquila nos países asiáticos, a equipe econômica precisa manter as taxas em níveis altos de modo a preservar as reservas internacionais, proteger a estabilidade do Real e atenuar o déficit em nossas contas com o exterior.
Mais IR na fonte Em contrapartida, essa mesma taxa elevada tem outros efeitos maléficos porque dificulta a expansão de negócios no setor privado e aumenta a dívida no setor público. Daí porque vamos iniciar o ano pagando mais imposto na fonte: a partir deste mês, o imposto será maior nas aplicações de renda fixa, sobre salários, aluguéis, etc., ou viagem ao exterior. Isso porque, com o aumento da arrecadação, o governo deve neutralizar parte do aumento de gastos com os juros que paga nos títulos públicos.
Num quadro de aperto como esses não é difícil entender por que a previsão é de uma inflação ainda mais baixa para este ano. Muito ajudaria a aliviar o peso para o contribuinte, consumidor, assalariado, no entanto, se o governo acelerasse o processo de privatização e o Congresso consolidasse as reformas estruturais.
Para o aplicador, apesar da insegurança, as bolsas tendem a pagar rendimento acima da inflação, assim como a renda fixa, embora a caderneta possa decepcionar.

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