O setor público obteve, em agosto, o maior superávit primário do ano, de R$ 6,485 bilhões. Este resultado, segundo o Banco Central, foi excepcionalmente bom devido ao ingresso de recursos referente à última parcela da concessão da Telebrás aliado ao resultado, também superavitário, das estatais federais. Este bom desempenho, no entanto, foi totalmente consumido pelo pagamento de juros nominais, da ordem de R$ 10,924 bilhões, também o maior do ano. Com a incorporação dos juros, o déficit nominal ficou em R$ 4,439 bilhões em agosto.
Nos últimos 12 meses terminados em agosto, no entanto, a relação déficit nominal e Produto Interno Bruto (PIB), de 3,17%, é a menor desde 1991. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes, isso demonstra a melhoria da situação fiscal do País.
Lopes chamou a atenção para o fato de esta relação não ser estável. Ele afirmou que este mês o déficit nominal voltará a crescer em relação ao PIB. Isso porque o BC estará substituindo na estatística um mês de bons resultados por um mês ruim.
O chefe do Depec explicou que o crescimento dos juros foi decorrente da desvalorização cambial de 2,74% verificada no mês, que impacta não apenas a dívida externa mas também parcela considerável da dívida interna em papéis cambiais, mais a correção do Índice Geral de Preços (IGP-DI) de 2,26% de julho, cujo reflexo se dá em agosto. A comparação com o mês anterior, de acordo com Lopes, tem de ser cuidadosa, pois em julho ocorreu justamente o contrário, ou seja, valorização cambial de 1,89% e impacto do IGP-DI de apenas 0,93%, o que beneficia as contas públicas. Por isso, em julho a apropriação de juros nominais ficou em R$ 5,170 bilhões.
No acumulado do ano até agosto o País vem cumprindo com folga o critério de desempenho acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Nos oito primeiros meses de 2000, o superávit primário acumulado é de R$ 31,220 bilhões, enquanto a trajetória básica acertada com o FMI era de R$ 25,854 bilhões. Para setembro, segundo Lopes, o critério de desempenho previsto é de R$ 29 bilhões, ou seja, a folga que era superior a R$ 5 bilhões em agosto já caiu para pouco mais de R$ 2,2 bilhões em setembro. ‘‘Tudo de primário que fizermos em setembro contribuirá para aumentar a folga’’, argumentou o chefe do Depec.
Lopes disse que o Banco Central não vê com preocupação o fato da folga acumulada no primeiro semestre do ano ser consumida no segundo. ‘‘Isso já era mais do que previsto’’, afirmou. Ele explicou que, para o fechamento do ano, não existe critério de desempenho e a meta a ser estabelecida na revisão do acordo com o FMI será certamente inferior à meta indicativa constante do memorando anterior, e que era de R$ 38 bilhões.

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