Juros cobrados pelos bancos disparam em janeiro
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Fernando Nakagawa<br> Agência Estado 
Brasília - A taxa média de juros nos empréstimos bancários subiu de 33,8% ao ano no final de 2007 para 37,3% ao ano em janeiro deste ano. Essa é a taxa média do chamado crédito livre, ou seja, livremente pactuada, e inclui operações com pessoas físicas e jurídicas.
Nos empréstimos somente para pessoas físicas, a elevação dos juros foi ainda maior, com a taxa passando de 43,9% ao ano em dezembro para 48,8% em janeiro. Nas operações para pessoas jurídicas, também houve elevação, com juro médio passando de 22,9% em dezembro para 24,7% ao ano em janeiro.
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, explicou que a elevação dos juros bancários em janeiro foi gerada por uma série de fatores interligados, que vão desde o aumento da volatilidade externa até a elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), passando pela interrupção dos empréstimos consignados para aposentados do INSS e alta dos juros no cheque especial e crédito pessoal.
Segundo Altamir, todo o mercado de crédito foi influenciado negativamente pela volatilidade externa, gerada principalmente pelo noticiário vindo dos Estados Unidos. Esse quadro, segundo ele, fez com que os bancos alterassem critérios de análise de risco, o que tornou as instituições mais cautelosas. Além disso, a volatilidade trouxe algum aumento no custo de captação dessas operações.
Especificamente nos empréstimos para as pessoas físicas, Altamir explica que as operações foram influenciadas pelo aumento da alíquota do IOF, que passou de 1,5% para 3,38%. Isso gerou alta dos spreads bancários - diferença entre taxa de captação e empréstimo -, o que teve impacto nos juros finais. Por outro lado, a demanda pelas operações de crédito continuou forte no mês passado, o que desestimula a redução das taxas pela concorrência entre bancos.
Além dos fatores macroeconômicos, Altamir citou alguns fatores menores, que influenciaram algumas linhas específicas. Um exemplo é a parada das operações de crédito consignado do INSS em janeiro. Entre 2 e 7 de janeiro, os empréstimos foram suspensos para que fossem feitos esclarecimentos a respeito das novas regras de comprometimento do benefício para essas operações.


