Juros caem em fevereiro, aposta mercado
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de suspender temporariamente a trajetória de queda dos juros não foi suficiente para levar o mercado financeiro a mudar sua projeção de corte de 3 pontos porcentuais da taxa básica, a Selic, até o final deste ano. O mercado também acredita que o Copom voltará a reduzir as taxas em fevereiro. É o que indica a pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) entre instituições financeiras e empresas de consultoria, a primeira realizada depois da decisão tomada pelo Copom, na semana passada, de manter a Selic em 16,5% ao ano.
Se a previsão do mercado de concretizar, a Selic chegará a 13,5% em dezembro, um nível ainda um pouco mais alto que o mencionado neste fim de semana, em São Paulo, pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Segundo ele, há espaço para que a Selic caia para até 12,5% neste ano. As instituições ouvidas pelo BC prevêem uma redução adicional dos juros, no final de 2005, para 12,34% ao ano. Na semana passada, a estimativa do mercado para 2005 era de 12,50%.
O levantamento indica ainda que o mercado financeiro manteve a aposta numa queda de um ponto porcentual dos juros na reunião do Copom de fevereiro. Em consequência disso, a Selic cairia dos atuais 16,50% para 15,50% ao ano no mês que vem. Esse otimismo não vem sendo compartilhado por diversos analistas de mercado, que dizem acreditar que o BC manterá uma atitude mais austera no combate à inflação e não reduzirá os juros nos três primeiros meses do ano.
Um dado curioso da pesquisa é a manutenção das expectativas de queda dos juros ainda em janeiro, com as taxas sendo cortadas de 16,50% para 16% ao ano, possibilidade que só se concretizaria com uma reunião extraordinária do Copom.
No que se refere ao comportamento da inflação, as instituições financeiras ouvidas pelo BC puxaram para cima as estimativas para o IPCA de janeiro e fevereiro pela segunda semana consecutiva. As projeções para janeiro aumentaram de 0,65% para 0,70% e para fevereiro subiram de 0,55% para 0,60%.
As elevações, no entanto, não foram suficientes para modificar as previsões de inflação para 2004 e 2005. As estimativas para 2004 ficaram em 5,99% e para 2005 mantiveram-se em 5%. Os dois porcentuais projetados estão dentro das margens de tolerância de 2,5 pontos admitidos no sistema de metas de inflação seguido pelo BC.


