A taxa de juros média atingiu o menor patamar da série histórica ao passar de 5,63% ao mês em novembro para 5,44% em dezembro, ou de 92,95% para 88,83% ao ano. Redução essa que tende a continuar nos próximos meses independentemente da manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 7,25%, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), responsável pelo levantamento. O motivo é que o órgão aponta para uma tendência à redução da inadimplência e ao aumento do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos meses no País.
O coordenador de Estudos Econômicos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que um cenário com ampliação da oferta de emprego e renda contribui para um endividamento menor do consumidor. Para 2013, as previsões apontam para um PIB brasileiro acima dos 3%, ante pouco mais do 1% previsto para 2012 (o número fechado só será divulgado em no mês de março). No entanto, o reflexo não é imediato porque o ano começa com pagamento de tributos como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o que faz com que a inadimplência tenha leve crescimento até o início de março. "Nessa época, há uma queda natural do comércio e depois começa a melhorar, por isso há as liquidações em janeiro e fevereiro", diz Oliveira.
De acordo com o estudo da Anefac, a oferta de crédito tende a aumentar e reduzir os juros porque, assim, os mercados se desenvolvem, as empresas investem e ampliam vendas. Apesar do otimismo da associação, o professor e economista Antônio Zotarelli, que mantém um projeto de finanças domésticas na Universidade Estadual de Maringá (UEM), pede precaução. Ele diz que o endividamento continua alto e que é preciso resistir à tentação do crédito fácil. "Vai ser um ano sem crescimento extraordinário e recomendo que o consumidor evite entrar em novas dívidas e poupe um pouco."
Outro motivo apontado para as sucessivas quedas de juros em 2012 foi a maior competição das instituições financeiras após os bancos públicos reduzirem taxas de juros. O Banco Central reduziu a Selic de 12,50% em julho de 2011 para 7,25% em dezembro de 2012, uma diferença de 5,25 pontos percentuais (p.p.), ou 42%. O índice menor fez com que bancos estatais reduzissem as tarifas e as instituições privadas seguiram o mesmo caminho, o que levou a uma queda da taxa média para pessoa física de 121,21% em junho de 2011 para 88,83% em dezembro de 2012. Mesmo assim, a queda de 32,38 p.p. não acompanhou o percentual da Selic e foi de 26,71%.

Como se beneficiar
Único índice que não sofreu queda entre novembro e dezembro foi o dos juros de cartão de crédito, mantida em 9,37% ao mês e 192,94% ao ano. É desse tipo de cobrança que o consumidor precisa fugir, seguida pela taxa para quem usa o cheque especial, de 7,82% ao mês, e o de empréstimos em financeiras, de 6,96%. Para tanto, é possível apelar a outras taxas de juros em empréstimos com tarifas menores, como os consignados à folha salarial.
Zotarelli sugere que o devedor no cartão de crédito ou no cheque especial gaste um pouco de tempo para pesquisar fontes de financiamento mais vantajosas e com prazos mais longos. Ele diz que os próprios bancos oferecem condições como a "compra da dívida", o que reduz, e muito, o pagamento de juros. "O empréstimo consignado é vantajoso porque é possível financiar a dívida com taxas próximas a 2,5% ao mês. Então a pessoa liquida o débito no cartão de crédito e alonga o prazo de pagamento", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Juros caem ao menor índice em dezembro
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