O Banco Central anunciou ontem uma nova redução dos juros básicos da economia, que cairão de 32%, nível que vigorava desde 29 de abril, para 29,5% anuais na segunda-feira. Trata-se da quinta redução da taxa Selic desde a desvalorização do real, no último dia 14 de janeiro. A taxa permanece, porém, igual àquela que prevalecia até 13 de janeiro, um dia antes da maxidesvalorização, que era de 29,5% anuais.
A nova queda foi decidida pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, com base em prerrogativa que lhe confere o Copom (Conselho de Política Monetária). O Copom, integrado pelos diretores do BC, definiu, em sua última reunião, o viés de baixa dos juros.
O anúncio foi feito pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, na delegacia regional da instituição em São Paulo. ‘‘Estamos andando a passos largos para a estabilidade’’, disse. O diretor do BC não descartou uma nova redução dos juros antes da próxima reunião do Copom, que se reúne periodicamente para fixar a taxa de juros, prevista para o dia 19 de maio, em Brasília.
Figueiredo disse que, se o governo mantiver a situação fiscal em ordem, o país poderá ter uma taxa de juros de padrão internacional dentro de seis meses. ‘‘Nosso objetivo é trabalhar de maneira preventiva. Hoje, temos condição de ter uma taxa de juros mais baixa. Os juros não podem ser um impeditivo à atividade econômica.
Figueiredo disse que a redução tem origem, principalmente, nos índices de inflação, que ‘‘continuam mostrando uma tendência consistente de queda. A volta do fluxo de capitais externos, a renovação das linhas de crédito no exterior e a estabilidade da taxa de câmbio também contribuíram para a nova redução dos juros.
A redução dos juros surpreendeu o mercado financeiro. O corte foi maior que o esperado. ‘‘O governo cortou os juros mais do que se esperava. A expectativa era de uma taxa de 30%’’, diz Júlio Araújo, vice-presidente da área financeira do BCN (Banco de Crédito Nacional).
Para o economista-chefe do ABN-Real, Rubens Sardemberg, o corte foi um pouco além do esperado e significou um recado do BC. ‘‘O governo quis mostrar que a queda será mais acentuada daqui em diante, ele está acelerando a redução’’, afirmou Sardemberg.
Segundo ele, o mercado estava projetando uma taxa de 30% ontem e de 28% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontece no dia 19. ‘‘Agora as projeções vão mudar. O mercado deve trabalhar com uma taxa de 26% já na próxima reunião do Copom , disse. Para os especialistas, a tacada do governo foi certeira.
O mercado e a economia têm dado sinais de que os juros estão altos demais. Entre esses sinais, destacam-se: os índices de inflação surpreendentemente baixos e o fluxo positivo de capital estrangeiro, que tem provocado a alta da Bolsa e a queda do dólar.
Acredita-se que esse corte no juro básico deverá se refletir já a partir da próxima semana nas taxas cobradas dos clientes dos bancos. Operações como descontos de duplicatas devem ter o repasse imediato. Já o crédito pessoal, o financiamento de veículos e o cheque especial devem começar a sentir o reflexo mais para o final da semana.
O Unibanco, por exemplo, já prepara um corte nas taxas de vários de seus produtos para os próximos dias. Segundo Rogério Estevão, diretor de produtos do Unibanco, o custo menor do crédito para o cliente é uma consequência da redução dos juros e também da queda do compulsório sobre depósitos a prazo.
Anteontem, o governo reduziu de 30% para 25% o percentual de recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo. A medida deve injetar cerca de R$ 4 bilhões no sistema, aumentando a oferta de crédito.

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