Juros caem 26% em 2012
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sábado, 26 de janeiro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A taxa média de juros das operações de crédito chegou ao menor nível histórico em dezembro do ano passado, a 28,1% ao ano. Em janeiro, ela era de 38% - uma redução de 26%. As empresas foram mais beneficiadas. A taxa média para elas caiu de 28,7% ao ano para 20,6% - redução 28,2%. Já, para pessoas físicas, a queda foi de 23,2%, uma vez que os juros médios cobrados em janeiro de 2012 eram de 45,1% e caíram para 34,6% no fim do ano.
Os números foram divulgados ontem pelo Banco Central e refletem a redução da taxa básica, a Selic, que caiu de 10,5% para 7,25% ao ano em 2012, e a estratégia do governo de usar os bancos públicos para empurrar os juros para baixo. O spread bancário diferença entre a taxa de captação do dinheiro e da concessão ao cliente saiu de 18,5% para 13,7%.
A maior redução nas concessões de crédito foi para a compra de veículos. Os juros médios para esta finalidade em janeiro eram de 26,8% ao ano e chegaram a 19,9% em dezembro (25,7% menos). A taxa do cheque especial saiu de 185,9% para 142%. Mesmo com a redução de 23,6%, continua uma das mais altas do mundo.
Apesar de o Brasil ter chegado às menores taxas da história, a economia brasileira ainda não respondeu à política econômica do governo, encerrando o ano com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em apenas 1%. Para o coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, o problema é que governo brasileiro, nos últimos anos, vem se preocupando em garantir crédito para o consumo e demorou a fazer o mesmo para o setor produtivo. "Quando se estimula a demanda, mas não a oferta, a saída é a importação em detrimento da indústria nacional", afirma.
A repercussão da queda nos juros em 2012, de acordo com ele, vai demorar a ser sentida. "Do momento em que uma empresa resolve investir até o momento em que ela coloca o produto no mercado, são decorridos 18 meses", diz Schmitt. Apesar de ser a menor média histórica, a taxa de 28,1% ao ano ainda é muito alta, segundo o coordenador. "Em qualquer país desenvolvido do mundo, os juros são bem menores", ressalta.
Para chegar a um nível razoável, Schmitt diz que o Brasil precisar reduzir a tributação sobre a concessão de crédito e desenvolver um sistema que permita a redução do spread, influenciado diretamente pela inadimplência. "Temos um sistema em que o bom pagador paga por aquele que está inadimplente", declara.
O economista e professor da PUC Londrina, Márcio Massaro, afirma que as taxas de juros ainda não impactaram na economia porque as famílias brasileiras estão no limite do endividamento. "Estão endividadas demais e não sinalizam que querem consumir mais. Uma coisa puxa a outra, se as pessoas não compram mais, a indústria não vai produzir e o PIB não cresce", destaca. Massaro acredita que o consumidor brasileiro está mais seletivo e cuidadoso.



