Juros: BC optou por agir de forma incisiva contra inflação
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quinta-feira, 06 de maio de 2010
Eduardo Cucolo<br> Folhapress 
Brasília - O Banco Central avaliou que era preciso agir de forma ''incisiva'' para evitar uma disparada da inflação neste ano. A informação faz parte da ata do Comitê de Política Monetária do BC (Copom), que na semana passada aumentou a taxa básica de juros de 8,75% para 9,50% ao ano.
No documento, a instituição diz também que, a retirada de parcela substancial das iniciativas tomadas durante a crise financeira internacional e ''um eventual agravamento'' da crise fiscal porque passam diversos países europeus, como a Grécia, serão fatores importante para futuras decisões sobre a taxa básica de juros.
''A despeito da reversão de parcela substancial dos estímulos introduzidos durante a recente crise financeira internacional, desde a última reunião, aumentaram os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas'', diz o BC na ata.
''À luz desse quadro, prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que competiria à política monetária agir de forma incisiva para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos.''
A instituição avalia que economia se encontra em novo ciclo de expansão e que os sinais de aquecimento da economia se manifestam, por exemplo, na trajetória dos núcleos de inflação, na elevação das expectativas de inflação, nos indícios de escassez de mão-de-obra em alguns segmentos e na elevação dos custos dos insumos.
Em relação à piora nas previsões de inflação feitas pelo mercado financeiro, que já estão acima do centro da meta de 4,5%. ''O Copom considera que essa deterioração deva ser contida e, para tanto, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta.''
O BC também defende a decisão da semana passada ao afirmar que a alta da inflação reduz o potencial de crescimento da economia e tem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda.
''Taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazo.''


