Juros básicos sobem para 26,5% ao ano
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
Brasília O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, decidiu ontem elevar a taxa básica de juros da economia brasileira a Selic de 25,5% para 26,5% ao ano. Também foi definido o aumento do recolhimento compulsório sobre depósitos a vista de 45% para 60%.
O Copom justificou a alta dos juros e o aumento do recolhimento compulsório como uma resposta à recente alta da inflação. Após cinco horas de reunião, o Comitê anunciou sua decisão com o seguinte comunicado. ''A inflação mostra sinais de resistência, diante disso, o Copom decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic para 26,5% ao ano. Concomitantemente, a diretoria elevou a alíquota do compulsório sobre depósitos à vista de 45% para 60%.''
Essa é a maior taxa de juros desde maio de 1999. Trata-se também da segunda alta consecutiva dos juros no governo Lula. Na primeira reunião do Copom do novo governo, em janeiro, a taxa havia subido de 25% para 25,5%. A decisão de ontem não surpreendeu o mercado financeiro porque a maioria dos analistas já apostava em uma alta de 1 a 1,5 ponto percentual.
A elevação dos índices de inflação seria o principal motivo para a alta dos juros. A ameaça de guerra contra o Iraque voltou a desvalorizar o real no início deste ano, o que gerou pressão sobre os preços. Por isso, analistas do mercado financeiro apostam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, usado como referência das metas de inflação) atinja 11,99% neste ano, um valor bem superior à meta ajustada de 8,5%.
A decisão de ontem pode reforçar a credibilidade do BC e ser um indicativo de que o governo está atento e quer reverter a tendência de alta da inflação para buscar essa meta. Os juros devem ser mantidos no atual patamar pelo menos até o dia 19 de março, quando o Copom voltará a se reunir. As razões para a elevação da taxa serão conhecidas na próxima quarta-feira, quando o BC divulgará a ata da reunião.
O compulsório é o dinheiro que os bancos são obrigados a recolher no BC. No caso das contas correntes, por exemplo, a alíquota passou de 45% para 60%. Isso significa que, a cada R$ 100 depositados pelos clientes, os bancos precisarão manter R$ 60 no BC.


