Pelo segundo mês consecutivo, os juros cobrados por empréstimos bancários sofreram alta em fevereiro, segundo divulgou ontem o Banco Central. A taxa média, que havia crescido 0,5% em janeiro, subiu mais 1% no mês passado. Os dois aumentos interrompem um ciclo de forte queda observado de abril a dezembro de 2012.
De acordo com o BC, o que motivou o crescimento dos juros em fevereiro foram os empréstimos cobrados das pessoas físicas (0,5%), nas modalidades com recursos livres (como cheque especial, crédito pessoal, consignado, compra de veículos e cartão de crédito). Nestes casos, a taxa média chegou a 24,9% ao ano. Já nas operações para empresas, a taxa média de juros permaneceu estável, em 14% ao ano.
Crédito pessoal e cheque especial foram modalidades que subiram em janeiro. O primeiro passou de uma taxa de 68,1% ao ano para 69,8%. E o segundo, o mais caro, subiu de 138% para 138,5% ao ano.
Apesar disso, a taxa de inadimplência, que contabiliza atrasos com mais de 90 dias, representou 3,7% das operações em fevereiro, nível estável em relação ao mês anterior.
Para o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, ainda é muito cedo para falar em tendência de subida dos juros. "Parece mais um ajuste natural do mercado. O Brasil fez concessões muito grandes de crédito nos últimos tempos e houve uma redução bastante significativa nas taxas", afirma. Questionado se o mercado não estaria se antecipando a um possível aumento da taxa básica de juros (Selic) sinalizada pelo Banco Central, ele nega. "Também não parece ser o caso."
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, concorda que ainda é cedo para dizer que os reajustes representam uma tendência, mas diz que os aumentos servem ao menos de "alerta". "Não sentimos nenhum impacto nas vendas. Mas precisamos ficar atentos para o cheque especial, por exemplo, que é muito usado como capital de giro pelos pequenos empresários", ressalta. Para os associados, Balan diz que há soluções de crédito mais interessantes que a dos bancos. "Que eles venham nos procurar", convida.

Estáveis
A Caixa Econômica Federal mantém as mesmas taxas de juros, tanto para pessoa física como para jurídica, desde abril do ano passado, quando foi lançado o programa "Melhor Crédito". Em alguns casos, segundo a gerente de agência Viviane Barcala Gonçalves, até reduziu. "A linha para antecipação da restituição do Imposto de Renda, por exemplo, teve redução de taxa de 1,88% para 1,57% ao mês para pessoa física", explica.
Ela lembra que, antes do programa, todas as taxas do banco representavam aproximadamente o dobro das de hoje. "Não vislumbramos no curto prazo nenhum aumento de juros, salvo no caso de oscilação da Selic", diz ela. De acordo com a gerente, o cheque especial da Caixa, "no balcão", está a 4,27% ao mês, ou 65,16% ao ano, menos da metade da média do mercado. Já, para clientes, pode descer a 3,35% ao mês (48,5% ao ano), dependendo de sua relação com o banco.
Viviane conta que a Caixa lançou um benefício para os clientes que utilizam cheque especial. "Oferecemos dez dias sem juros", afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Juros bancários sobem pelo 2º mês consecutivo
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