Juros bancários são os menores em 11 anos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
Agência Estado 
Brasília - Os cortes feitos pelo Banco Central (BC) na taxa de juros básica da economia, a Selic, desde setembro começaram a chegar ao consumidor em novembro. Depois de três meses seguidos de alta, a taxa de juros média dos empréstimos bancários em geral caiu para 47,1% ao ano em novembro. Em outubro, estava em 48,2% ao ano. A informação foi divulgada ontem pelo BC. No caso no crédito específico às pessoas físicas, a taxa chegou a 60,4%, a menor nos últimos 11 anos.
Segundo o BC, o spread bancário - que é a diferença entre o que os bancos pagam pelo dinheiro e o que cobram para emprestá-lo -caiu 0,5 ponto porcentual em novembro ante outubro, atingindo 29,3% ao ano na média geral. Na comparação com setembro, entretanto, o spread ficou praticamente estável, enquanto o custo para os bancos captarem dinheiro para emprestar caiu quase 1 ponto porcentual.
''Em um mês que em que as festas de fim de ano influenciam o aumento no volume de crédito, a boa notícia é a queda na taxa de juros, após seguidas desde o início do ano'', afirmou o diretor-executivo do Instituto de Desenvolvimento do Varejo, Aprígio Rello Júnior, que faz uma ressalva lembrando que as taxas no Brasil ainda são muito altas para os padrões internacionais.
No movimento de queda nos juros ao consumidor em novembro o maior destaque foi o crédito para pessoas físicas, cuja taxa média caiu 1,3 ponto porcentual, alcançando a marca de 60,4%. Embora muito alta, a taxa de novembro foi a menor já registrada desde julho de 1994, quando se inicia a série histórica do BC, informou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. ''A tendência é de que esse recorde seja batido nos próximos meses com as reduções na taxa básica de juros'', afirmou.
Todas as modalidades de crédito para pessoa física tiveram redução de custo para o consumidor, à exceção do cheque especial, que subiu de 148,6% em outubro para 149,2% ao ano em novembro. O custo do dinheiro também caiu para as empresas, passando de 33,4% em outubro para 32,4% em novembro. Nesse grupo, o maior destaque foi a queda de 3,3 pontos porcentuais na taxa média do capital de giro, para 35,4% ao ano. Somente a conta garantida, uma espécie de cheque especial das empresas, não teve redução na taxa de juros, ficando praticamente estável em relação a outubro.


