Com uma queda de 0,02 ponto porcentual em março, a taxa de juros média para pessoa física chegou ao menor patamar da série histórica, que teve início em 1995. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa baixou de 5,42% para 5,40% ao mês.
Das seis linhas de crédito pesquisadas, uma se manteve inalterada: o cartão de crédito rotativo, ao custo de 9,37% ao mês ou 192,94% ao ano. E cinco foram reduzidas. Os juros do comércio baixaram de 4,02% para 4% ao mês, ou de 60,47% para 60,10% ao ano. A taxa do cheque especial saiu de 7,75% para 7,72% ao mês, ou de 144,91% para 144,09% ao ano. Já o CDC para automóveis saiu de 1,54 para 1,52% ao mês, ou 20,13% para 19,84% ao ano.
Os juros de empréstimo pessoal dos bancos caíram de 2,92% para 2,91% ao mês, ou 41,25% para 41,09% ao ano. E a taxa de empréstimo pessoal das financeiras desceu de 6,94% para 6,88%, o que representa uma baixa de 123,71% para 122,21% ao ano.
No caso das empresas, os juros de capital de giro saíram de 1,51% para 1,49% ao mês ou 19,7% para 19,42% ao ano. Os de conta garantida passaram de 5,5% para 5,46% ao mês ou 90,12% para 89,26% ao ano. Os de desconto de duplicatas foram os únicos que tiveram aumento, de 2,18% para 2,22% ao mês (de 29,54% para 30,15% ao ano). A taxa média dessas três linhas ficou estável em 3,06% ao mês e 43,58% ao ano, também a menor da série histórica.
A tendência, segundo a Anefac, é de que os juros continuem baixos nos próximos meses, mesmo no caso de o Conselho de Política Monetária (Copom) baixar a taxa básica (Selic) na reunião desta quarta-feira. O economista e vice-presidente da entidade, Miguel Ribeiro de Oliveira, acredita que o Copom vai subir a Selic em 0,25% agora e na mesma proporção no próximo mês. Desta forma, a taxa, que hoje está em 7,25%, chegaria a 7,75% ao ano.
"Além de não ser um aumento significativo, os juros nos bancos não devem aumentar devido à competição elevada no setor é à tendência de queda da inadimplência", afirma Oliveira. Um aumento de 0,50% na Selic resultaria, segundo ele, em elevação de 0,04 ponto porcentual nas taxas reais praticadas pelos bancos.
Ele considera que o aumento da Selic tem mais efeito para tranquilizar os mercados. O economista ressalta que declarações recentes da presidente Dilma Rousseff e do ministro Guido Mantega colocaram em xeque a autonomia do Banco Central. "Eu acredito que o Banco Central vai fazer esses dois aumentos na Selic e aguardar o comportamento da inflação, que tende a cair no segundo semestre de acordo com estimativa do próprio banco", declara.
Economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, também acredita em alta da Selic, em 0,25%, já nesta quarta-feira. "Mas esse aumento não rebate imediatamente nas taxas dos bancos. Esse reflexo se dá num período de seis a nove meses", declara.
Ele diz que a inflação deve baixar no segundo semestre, uma vez que o principal fator que pressiona os preços atualmente são os alimentos, devido a problemas pontuais com determinados produtos, como o tomate. Mas ressalva que o governo também está preocupado com a inflação no setor de serviços, que tende a continuar alta durante o ano. "Eu diria que a perspectiva ao final do ano é de inflação dentro da meta caso se confirme o efeito positivo da queda de preços dos alimentos", destaca.
Curado também vê efeito simbólico do aumento da Selic sobre o mercado, como demonstração da autonomia do Banco. "A percepção que se tem é de que, de dois anos para cá, há uma influência grande do Ministério da Fazenda sobre o Banco Central", alega.

Imagem ilustrativa da imagem Juros bancários são os mais baixos da série histórica
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