Juros atingem nova alta histórica
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A taxa média de juros cobrada das famílias subiu 0,1 ponto percentual em novembro, para 64,8% ao ano, a maior da série histórica iniciada em março de 2011 pelo Banco Central (BC). Os recordes foram quebrados mês a mês desde janeiro deste ano, com alta no período de 10,8 pontos percentuais, conforme divulgado ontem pela entidade. O maior risco de inadimplência pela deterioração do cenário econômico e os reajustes da Selic que ocorreram em 2015 são apontados como causas por analistas.
Ao mesmo tempo, a expansão da tomada de crédito tem desacelerado neste ano. A expansão em 12 meses até setembro era de 9,0%, índice que caiu para 8,1% em outubro e para 7,4% em novembro. Há a ressalva de que a greve dos bancários dificultou os empréstimos em outubro, mas o BC anunciou ontem a expectativa de fechar 2015 com 7,0% de crescimento, ante previsão de setembro de 9,0%. Novamente, a queda da atividade econômica, o aumento do desemprego, o maior endividamento de empresários e consumidores elevam o risco de inadimplência, o que faz com que as instituições financeiras se tornem mais seletivas na concessão de crédito.
O recorde entre todas as modalidades, entretanto, fica mesmo com a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito, que é quando o consumidor paga valor menor do que o total da fatura do parcelamento. A alta em novembro foi de 10,1 pontos percentuais sobre outubro, com um peso anual de 415,3%.
Na sequência aparece a taxa do cheque especial, que subiu 6,7 pontos percentuais e foi a 284,8%. A única modalidade para pessoas físicas que teve queda no mês foi a do crédito pessoal, que exclui operações consignadas e caiu 8,9 pontos percentuais, para 120,4% ao ano.
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, afirma que o reajuste da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14,25%, serve de base para as elevações das demais e dificulta a tomada de crédito, principalmente para o setor produtivo. "Também diminui a capacidade de consumo da população e o empresário é obrigado a restringir as margens de lucro", diz, ao completar que não é possível que empresas façam empréstimos para não zerar a rentabilidade.
A coordenadora do projeto de extensão Saúde Financeira da Família da Unifil, Maria Eduvirge Marandola, completa que o cenário recessivo atinge a tomada de crédito e os juros. "Se antes a pessoa não tinha dinheiro para comprar um bem à vista, comprava a prazo, mas hoje tem de abrir mão do bem, caso não seja de primeira necessidade", diz.
A tendência é que os juros sigam em alta nos próximos meses, diante da falta de sinalização de mudança econômica no País. "Mas tem um limite: quando a inflação começar a recuar, a taxa de juro deve se estabilizar até que comece a cair, porque o mercado costuma responder rapidamente para aumentar e devagar para diminuir", explica Rambalducci.
A inadimplência das pessoas físicas, quando há atrasos superiores a 90 dias, manteve-se em 5,8% e a de pessoas jurídicas cresceu 0,2 ponto percentual, para 4,5%. O saldo de todas as operações de crédito foi de R$ 3,176 trilhões em novembro, altas de 0,6% no mês e de 7,4% em 12 meses. O saldo do crédito livre ficou em R$ 1,614 trilhão e o do direcionado, em R$ 1,562 trilhão. (Com agências)


