Juros ao consumidor vão cair menos
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília - Apesar de ainda elevadas, as taxas de juros cobradas pelos bancos nas operações de crédito já estão próximas dos menores valores registrados nas séries históricas do Banco Central (BC). Por isso, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes, depois das reduções aceleradas nos últimos meses as taxas cobradas nos empréstimos não deverão mais ter fortes quedas daqui para frente. ''Mesmo com toda a melhora no cenário macroeconômico, o espaço para cortes agora é menor'', disse ele.
Segundo Lopes, a retomada de um ritmo mais intenso de corte nos juros depende do Congresso Nacional, que discute medidas que ajudarão a baratear o custo do crédito no País.
Em junho, operações como crédito pessoal e financiamento de eletrodomésticos tiveram os juros reduzidos aos menores níveis já registrados pelo BC. A taxa média cobrada nas operações de empréstimo atingiram o nível geral de 44% ao ano no final do primeiro semestre. Isso representou uma queda de 10,2 pontos porcentuais em relação ao início do governo Lula, mas de apenas 0,2 ponto em relação a maio.
As pessoa físicas, que começaram 2003 pagando, em média, 83,6% de juros nos financiamentos, chegaram a junho passado com uma taxa de 62,4%, o mesmo nível observado no mês anterior. Para Lopes, as pequenas reduções observadas entre maio e junho já são uma demonstração clara da redução do espaço para cortes mais acentuados. ''A queda de juros por modalidade já é pequena'', afirmou. Um bom exemplo, segundo ele, é o cheque especial, o crédito mais caro do mercado.
Na média, os bancos cobraram em junho 140,3% ao ano dos clientes que precisaram recorrer a essa linha de crédito. Em maio, essa média estava em 140,5% ao ano.
O mesmo ocorre com os juros cobrados das empresas. Operações como desconto de duplicatas estão sendo feitas com uma taxa anual de 40%, o menor nível registrado pelo BC desde julho de 1994, quando teve início a coleta desses dados. Mas a queda, que chegou a ser de até 13,8 pontos porcentuais entre janeiro de 2003 e abril de 2004, está mais lenta. Em maio, o desconto de duplicata custava em média 40,8% ao ano.
Um fator que deve contribuir para que os bancos mantenham o processo de corte dos juros, ainda que em ritmo menor, é a redução do nível de inadimplência. No fim do primeiro semestre, a taxa média de inadimplência foi de 7,2%, ante 7,4% em maio. Nas operações com empresas, o nível de inadimplência atingiu o menor nível histórico: 3,4%. Nos empréstimos concedidos às pessoas físicas, a taxa de calote foi de 13%, o menor porcentual apurado pelo BC desde julho de 2001.


