Juros ao consumidor têm pequena queda
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sexta-feira, 18 de julho de 2003
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo O corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros em junho, para 26% ao ano, provocou uma redução apenas simbólica no custo do dinheiro ao consumidor, que utiliza linhas de crédito de financeiras, de bancos e de lojas. Duas pesquisas divulgadas nesta semana mostram essa tendência.
Pesquisa da Fundação Procon-SP, realizada entre os dias 7 e 8 deste mês com 12 bancos, mostra que os juros médios nos empréstimos pessoais, que eram de 6,22% ao mês em junho, estão em 6,02% neste mês, com queda de 0,2 ponto porcentual. No cheque especial, o recuo foi menor. A taxa média mensal, que estava em 9,43% no mês passado, caiu para 9,27% em julho, com variação de 0,16 ponto porcentual.
Os técnicos do Procon-SP ressaltam que 9 dos 12 bancos pesquisados nas duas linhas de financiamento reduziram os juros e 3 instituições financeiras mantiveram as taxas.
Já a pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que, em média, os juros cobrados do consumidor em seis linhas de financiamento ficaram estáveis, em 8,45% ao mês, ou 164,70% ao ano, de maio para junho. Das 6 linhas pesquisadas em 30 bancos e em 9 mil anúncios publicados em jornais de todo o País, houve retração nas taxas de 3 linhas de financiamento ao consumidor.
A maior queda, de 0,13 ponto porcentual, foi registrada no Crédito Direto ao Consumidor dos bancos, cuja taxa era de 4,14% ao mês em maio e ficou em 4,01% em junho. Neste ranking, estão o empréstimo pessoal dos bancos, com redução de 0,03 ponto porcentual, e o crédito oferecido pelas lojas, com recuo de apenas 0,01 ponto porcentual no mesmo período.
A pesquisa da Anefac mostra também que, de maio para junho, as taxas cobras no cheque especial, no cartão de crédito e nos empréstimos pessoais das financeiras aumentaram 0,02, 0,04 e 0,11 ponto porcentual, respectivamente.
O presidente da entidade, Miguel Ribeiro de Oliveira, explica que, apesar de a maior parte das instituições financeiras ter reduzido os juros em várias linhas de financiamento de maio para junho, o porcentual de queda foi pequeno e acabou sendo sendo neutralizado pela decisão de aumentar ou manter as taxas de alguns agentes financiadores. ''Os bancos ainda estão muito preocupados com a inadimplência. É que numa conjuntura de desemprego elevado e queda na renda, as instituições financeiras continuam cautelosas.''
Oliveira diz que um bom exemplo dessa cautela pode ser observado nos financiamentos de veículos. Como, neste caso, existe uma garantia real no empréstimo, que é o automóvel, todos os grandes bancos cortaram as taxas de maio para junho. Além disso, ele observa que a concorrência nesse segmento é muito acirrada, o que empurra ainda mais as taxas para baixo. ''Isso já não ocorre com as demais linhas de crédito.''
A diferença entre o custo de captação dos recursos e a taxa média cobrada nos empréstimos ao consumidor, que é o spread, aumentou de maio para junho, de 138,20% para 138,70% ao ano, segundo a Anefac. Isso ocorreu porque o custo médio do dinheiro para as seis linhas de crédito pesquisadas ficou, na ponta, estável, enquanto a taxa básica recuou 0,5 ponto porcentual. ''Ainda temos o maior spread do mundo'', diz o executivo. A sua perspectiva é de que, com o recuo consistente de vários índices de inflação e o enfraquecimento do ritmo de atividade estampado nos indicadores, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduza de um a dois pontos porcentuais as taxas básicas na reunião marcada para a próxima semana.


