Curitiba - Depois de subirem por 15 meses seguidos, as taxas de juros médias cobradas do consumidor recuaram em setembro, refletindo a interrupção, por parte do Banco Central (BC), do ciclo de aumento da taxa básica Selic. De acordo com pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros médios passaram de 6,08% em agosto (ou 103,05% ao ano) para 6,06% no mês passado (102,59% ao ano).
Para o diretor da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a queda reflete a interrupção da alta da Selic e a sinalização do Banco Central de que o juro básico vai se manter inalterado nos próximos meses, para não prejudicar o crescimento do País. Ele também atribui o recuo à estabilização dos índices de inadimplência, mesmo com um cenário de inflação alta e juros maiores, o que prejudica a renda das famílias. Oliveira lembrou ainda que essa estabilidade no calote foi ‘’motivada pela maior seletividade das instituições financeiras no crédito, o que melhora a inadimplência futura’’.
Segundo a Anefac, outro fator que influenciou a queda foram as medidas recentes promovidas pelo BC na redução dos compulsórios. Em setembro, quatro das seis linhas de crédito pesquisadas pela Anefac tiveram seus juros reduzidos: juros do comércio, financiamento de veículos, empréstimo pessoal concedido por financeiras e empréstimo pessoal concedido por bancos. Os juros no cartão de crédito se mantiveram estáveis, enquanto as taxas do cheque especial subiram.
O economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Másimo Della Justina, disse que a queda dos juros também pode ser explicada com a queda no consumo no crediário, além da renda menor com a economia crescendo menos. Para ele, a queda na Selic também influenciou.
No entanto, Justina não acredita em novas quedas das taxas de juros até pelo aquecimento do consumo com o fim de ano e recomenda ao consumidor comprar à vista e negociar desconto.
O economista Márcio Massaro alertou que não houve queda nos juros do cartão de crédito e do cheque especial, justamente as modalidades que o consumidor tem ‘’acesso automático’’.
Ele também acredita que a falta de procura por crédito faz os juros caírem. Alertou ainda que esta queda das taxas verificadas em setembro não é motivo para comemorar. ‘’Essa queda quase não chega ao consumidor por ser pequena.
Massaro prevê que a queda dos juros não deve continuar. ‘’Se ocorrerem três meses consecutivos de redução das taxas é possível dizer que é um viés de baixa’’, explicou. Ele acredita que seja difícil a queda dos juros se manter com as pressões inflacionárias e as incertezas políticas.
Recomenda que, antes de fazer uma compra, o consumidor pense se realmente precisa e pode comprar. ‘’Tudo que o consumidor puder postegar ajuda a tomar uma decisão melhor lá na frente’’, disse. E disse ainda que ‘’a compra à vista é melhor em qualquer situação’’.

PESSOA JURÍDICA
Os juros médios cobrados de empresas registraram leve queda em setembro, passando de 3,44% em agosto para 3,43% no mês passado. Das três taxas de juros cobradas de empresas, duas caíram em setembro - desconto de duplicatas e conta garantia - e uma se manteve inalterada - capital de giro. No capital de giro, os juros se mantiveram em 1,88% ao mês em setembro. Já a taxa de desconto de duplicatas caiu de 2,55% ao mês em agosto para 2,54% mensais em setembro. A conta garantida caiu de 5,89% em agosto para 5,88% em setembro. (Com agências )

Imagem ilustrativa da imagem Juros ao consumidor têm leve queda
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