Juros ao consumidor têm 12ª alta seguida
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A média de juros para o consumidor aumentou pelo 12º mês consecutivo, ao passar de 128,78% ao ano em agosto para 131,10% em setembro. Pesam na cobrança feita pelos bancos aos tomadores de crédito as crises econômica e política pelas quais o País passa, que geram consequente aumento do desemprego e da inadimplência. Como resultado, instituições financeiras elevam as taxas para diminuir eventuais perdas com a falta de pagamentos, segundo o balanço divulgado ontem pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Mesmo com a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% na reunião de setembro pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a média do mercado atingiu o maior nível desde junho de 2009, quando era de 7,26% ao mês e de 131,87% ao ano. Ainda, todas as linhas de crédito pesquisadas tiveram alta no mês para a pessoa física, com destaque para a elevação da taxa no financiamento a veículos, com 2,80% sobre agosto, ou 0,06 pontos percentuais (p.p.) a mais, no cartão de crédito, com 1,65% e 0,22 p.p., e no empréstimo pessoal em bancos, com 1,26% e 0,09 p.p..
O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que os índices de inflação mais elevados, o aumento de impostos e os juros maiores reduziram a renda das famílias, o que, agregado ao baixo crescimento econômico, promove o crescimento dos índices de desemprego. Assim, há maior risco de inadimplência. "Quadro que se agravou com o rebaixamento da nota de crédito nacional pela agência de classificação de risco Standard & Poors, porque interfere nos juros futuros."
Para o professor de economia Antônio Zotarelli, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), os bons pagadores acabam por pagar mais devido aos que não têm condições de sanar os débitos. Ele lembra que a Selic serve mais para avalizar os juros para captação do governo por meio de títulos da dívida pública do que para reger as taxas de mercado. "O que vemos é que hoje, por trás desse processo de alta, está a instabilidade econômica e política", diz.
Situação que deve continuar nos próximos meses. "Para evitar nova elevação dos juros, as condições econômicas precisavam indicar melhora, mas isso não vai acontecer no curto prazo", diz o executivo da Anefac.
Ainda, não há limites para os aumentos dos juros, mesmo em um cenário em que os cinco principais bancos do País tiveram aumento de 27% nos lucros no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2014, segundo levantamento da Federação dos Trabalhadores de Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-PR). "Quem dita esse limite é o mercado e enquanto houver demanda pelo crédito, mesmo que emprestem menos, vão ganhar mais com as taxas maiores pela necessidade de se precaver dos riscos de inadimplência", diz Zotarelli.
As três linhas de crédito para pessoas jurídicas tiveram elevação em setembro ante agosto. A média foi de 61,77% ao ano para 62,33%, uma diferença de 0,73% ou 0,03 p.p.. As taxas para capital de giro foram de 32,99% ao ano em agosto para 33,55% em setembro. Desconto de duplicatas passou de 40,43% para 40,76% e a conta garantida, de 124,97% para 125,98%, conforme a Anefac.


