O movimento de queda dos juros ao consumidor continua discreto. Apesar dos cortes efetuados durante o mês, alguns bancos, financeiras e lojas não acompanharam a forte redução da taxa básica do mercado, a Selic, que caiu 21,5 pontos porcentuais em pouco mais de dois meses, para 23,5% ao ano. Uma financeira chega a cobrar 12% ao mês por empréstimo concedido, o que representa juro de 288% ao ano.
Já as taxas apresentadas pelos bancos são um pouco mais acessíveis. No crédito pessoal, as taxas mensais variam entre 4,25% e 7%. Mas, no cheque especial, chegam a 12,90% ao mês. No financiamento de veículo, os encargos variam de 2,48% a 3,44% e nos crediários de lojas de eletrodomésticos, de 4% a 8% ao mês. A justificativa para taxas tão elevadas é sempre a mesma: o risco de inadimplência.
As influências externas também podem prejudicar a queda mais expressiva dos juros ao consumidor. As incertezas em relação à economia argentina e a possibilidade de um aumento dos juros norte-americanos, como indicou o banco central dos Estados Unidos, são alguns fatores que podem intimidar as instituições a promover redução das taxas aqui. ‘‘Diante das turbulências no cenário externo, não acredito que o governo recue mais a taxa básica’’, analisa o diretor de Operações da Losango, Manuel Vieira.
O vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José de Oliveira, discorda dessa opinião e não vê justificativa para que os juros da praça continuem nesse nível elevado. ‘‘Agora, a nova desculpa para a manutenção das taxas atuais será essa confusão no mercado externo.’’ Vai depender do consumidor aceitar ou não essas taxas de juros.
A orientação aos consumidores continua sendo a precaução. Evite financiamentos, empréstimos, crediários e rotativo de cartões de crédito. Em último caso, procure pesquisar preços e condições de pagamento.

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