Juros ao cliente chegaram ao teto, avalia BC
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quinta-feira, 27 de março de 2003
Agência Estado 
Brasília - Depois de cinco aumentos consecutivos dos juros básicos da economia que se refletiram diretamente na taxa cobrada pelos bancos nos empréstimos em geral, o Banco Central (BC) acredita que a tendência, a partir de agora, é de acomodação no custo dessas operações bancárias. Na avaliação do chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e o valor cobrado dos clientes, chamado de spread bancário, chegou ao teto.
Nos últimos meses, além do aumento da taxa Selic, o spread bancário foi altamente influenciado também pela percepção de risco do mercado. No mês passado, as taxas praticadas pelos bancos nas operações de empréstimos atingiram níveis elevadíssimos. A taxa média para pessoas físicas chegou a 85% ao ano, o maior dos últimos três anos. Em fevereiro de 2000, quando a economia brasileira começava a se recuperar da crise cambial de 1999, essa taxa era de 86,2% ao ano. No caso das empresas, esse custo foi de 37,4% ao ano, no mês passado, o mais alto desde junho de 2000. Com isso, a taxa média de aplicação, em fevereiro, foi de 56,5% ao ano.
''Essa elevação cessou. Agora, qualquer movimento na taxa de aplicação dos bancos vai depender apenas do custo de captação. Com isso, esperamos uma acomodação no spread'', afirmou Lopes. ''As coisas estão ficando mais claras internamente, a inadimplência não aumentou e, com isso, poderemos ter uma tendência, daqui para frente, de queda dos spreads'', disse, destacando que não há como estimar quando os spreads poderão começar a cair. Ele cita ainda a decisão do governo de aumentar o recolhimento obrigatório que os bancos fazem junto ao BC como outro fator que contribuiu para a elevação da taxa média de juros praticada pelas instituições no mês passado.
Com custos tão elevados, a demanda por crédito está baixa. O aumento de 1,2% verificado no estoque de empréstimos para pessoas físicas, segundo Lopes, se deu em função de um crescimento do uso do cheque especial e dos cartões de crédito. Essa elevação é considerada normal para o BC nessa época do ano. ''Apesar do alto custo desses recursos, as pessoas têm despesas extras nesse período como material escolar, IPTU e IPVA'', explicou, ressaltando que, nessa época, as famílias ainda se recuperam das compras de fim de ano.
O custo do cheque especial chegou a 173,1% em fevereiro, o maior desde maio de 1999. Já o custo do crédito pessoal, normalmente uma alternativa mais barata ao cheque especial, também registrou uma elevação: 98,9% ao ano, o mais alto desde agosto de 1999, quando a taxa média atingiu 100,5%.


