BRASÍLIA - As taxas de juros dos financiamentos da safra 1997/98 deverão ficar entre 9% e 10%, informou ontem o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias. O volume total de recursos para o crédito rural na safra, que começa a ser plantada em julho, deverá ficar entre R$ 7 e R$ 8 bilhões.
Guilherme Dias defendeu também pequenos aumentos nos preços mínimos para que eles não fiquem tão defasados em relação ao mercado. ‘‘O preço mínimo tem de ficar abaixo das expectativas do mercado, mas não pode se tornar inócuo’’, avaliou o secretário. Ele observou que, em algumas regiões, o preço mínimo ainda tem um ‘‘papel estratégico de sinalização de preços, para que o produtor não fique nas mãos dos atravessadores’’.
Existem pontos divergentes dentro do governo sobre as novas regras da safra e considera difícil conseguir um consenso para que o voto com os ajustes na política agrícola sejam aprovados na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), na próxima quinta-feira.
Regras Guilherme Dias explicou que, embora tecnicamente a definição das novas regras da safra possa ficar para junho, o governo trabalha com a idéia de acelerar as definições para que os bancos possam utilizar os recursos disponíveis para o crédito rural. ‘‘Tem muito dinheiro nos bancos à espera da definição das regras da safra’’, afirmou.
Com a cobrança da CPMF, aumentou o volume de recursos das exigibilidades bancárias (parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada no crédito rural) e o governo espera que o dinheiro seja usado para financiar a compra de insumos, como fertilizantes, por exemplo. Além da ajuda da CPMF, o governo trabalha com outros instrumentos para o financiamento da safra, como os recursos externos da resolução 2.148 e a possibilidade de novos recursos da poupança rural.

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