Arquivo FolhaApesar de tudoO presidente da CNI, senador Fernando Bezerra: ‘‘Os empresários acreditam na estabilização e apostam na queda dos juros, porque o próprio governo não aguenta taxas tão altas por muito tempo’’As medidas de ajuste adotadas pelo governo no final do ano passado, com destaque para o aumento substancial dos juros, afetaram diretamente o desempenho das pequenas e médias indústrias do País. Pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com 482 empresas em 16 Estados, indica que 59,7% delas tiveram queda no faturamento no último trimestre de 1997 em relação ao trimestre anterior, enquanto 38,8% registraram redução na produção. A situação com os bancos foi pior: em 31 de dezembro, as dívidas vencidas representavam 80% dos empréstimos tomados pelos pequenos industriais.
A pesquisa feita pela CNI mostra claramente que o mau desempenho registrado no último trimestre do ano passado ocorreu em função do pacote de ajuste do governo, divulgado em outubro. O desempenho das pequenas e médias empresas em 1997, se comparado com o ano anterior, foi positivo: a produção aumentou em 52% e o faturamento cresceu em 48% delas, embora a margem de lucratividade tenha diminuído em 54% das empresas pesquisadas.
Os dados também indicam que, apesar do aperto no último trimestre, os pequenos e médios industriais apostam em 1998: 59% deles esperam aumentar o faturamento e a produção em 21%, respectivamente, enquanto 43% pretendem manter a produção nos níveis de 1997 e apenas 9% acreditam em redução.
Para 62% dos empresários, o nível de emprego deverá ser mantido. A expectativa de 35,1% dos entrevistados é de que já ocorram mudanças positivas ainda neste primeiro trimestre, enquanto 38,8% não acreditam nisso e os restantes 26,1% estão indefinidos.
Ao divulgar a pesquisa, intitulada ‘‘Sondagem Empresarial da Pequena e Média Indústria’’, o presidente da CNI, Fernando Bezerra, disse que o otimismo dos empresários, apesar do mau desempenho do último trimestre, tem justificativa. ‘‘Os empresários acreditam na estabilização e apostam na queda dos juros, porque o próprio governo não aguenta juros tão altos por muito tempo’’, observou.
Apontou ainda, como causa da expectativa positiva da maioria dos empresários, o fato de o País estar vivendo um ano eleitoral, que propicia a contratação de obras, e a realização da Copa do Mundo, na França, que também deve gerar novas oportunidades de negócios.
A sondagem da CNI identificou como causas do mau desempenho das pequenas e médias indústrias no último trimestre de 97, dois problemas: em primeiro lugar, a carga tributária,
responsabilizada por 18,6% dos entrevistados. Em segundo lugar, as taxas de juros elevadas, indicadas por 16,1% dos empresários.
Na pesquisa anterior, os juros apareciam em quarto lugar em reclamação, o que comprova que as mudanças registradas no último trimestre coincidiram com as medidas adotadas pelo governo para enfrentar as consequências da crise das bolsas de valores asiáticas, disse Bezerra.

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