Agência Estado
De São Paulo
O consumidor que tem dívida no cartão de crédito, no cheque especial e com agiotas e recorreu a financiamento para comprar carro e casa própria pode ainda não se ter dado conta, mas até um quarto da sua renda mensal pode estar sendo usada apenas para pagar juros. A conclusão é de Marcos Silvestre, economista-chefe do Forex – Centro Brasileiro de Orientação em Finanças Pessoais. O rombo causado pelos juros altos no bolso do consumidor também está sendo alvo de estudo pelo Banco Central, que tem 60 dias para encontrar meios de pressionar as instituições financeiras a promover cortes mais acentuados em seus juros. Com isso, o governo quer também recuperar um pouco da popularidade perdida.
Mas, até lá, o consumidor deve precaver-se como pode dos juros altos. Desde janeiro deste ano, Silvestre analisou o orçamento doméstico de 63 famílias com renda média de R$ 4,5 mil que estavam com um alto endividamento. Ele constatou que o tamanho da dívida dessas famílias poderia ser bem menor se elas tivessem resistido ao impulso de comprar a prazo. ‘‘Poucos consumidores percebem qual o peso dos juros em seu orçamento mensal’’, diz o economista, acrescentando que somente aqueles que fazem conta na ponta do lápis conseguem visualizar o tamanho do estrago causado em seu bolso pelos juros. Uma família que tem renda mensal líquida de R$ 4,5 mil pode estar desembolsando mais de R$ 1 mil só com o pagamento de juros.
O desequilíbrio no orçamento ocorre, segundo ele, porque são poucos os consumidores que poupam para comprar o bem à vista. Quem faz isso, além de fugir do juro alto, embolsa os ganhos da aplicação.

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