O Banco Central seguiu com sua postura conservadora e anunciou alta de 0,5 ponto percentual nos juros básicos da economia, que hoje sobem de 16,25% para 16,75% anuais. Esse foi o terceiro aumento seguido na taxa de juros, que acumula alta de 1,5 ponto percentual neste ano e atingiu seu maior nível desde julho de 2000.
A decisão foi tomada em reunião realizada nos dois últimos dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária), um colegiado formado por diretores do BC (com direito a voto) e chefes de departamento da instituição.
Ao anunciar a decisão, o BC divulgou apenas uma frase: ‘‘A persistência da pressão já existente sobre a taxa de inflação e os prováveis efeitos secundários da crise de energia levaram o Copom a fixar a meta da taxa Selic em 16,75% anuais’’.
Maiores detalhes sobre a decisão só devem ser conhecidos na semana que vem, quando será divulgada a ata da reunião do Copom. Entre os analistas do mercado já era dado como certo um novo aperto na política de juros. Cinco motivos são mais citados:
1) Racionamento – Ainda são desconhecidos os efeitos do racionamento de energia sobre o crescimento da economia, mas há certo consenso de que haverá pressão sobre a inflação;
2) Tarifas – A alta na tarifa de energia elétrica, anunciada dentro do pacote contra a crise de energia, deverá ter um impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA. Além disso, as concessionárias vão perder receita com o racionamento e tendem a pedir novas revisões nas tarifas de energia;
3) Alta do dólar – A cotação da moeda norte-americana continua a subir, apesar das altas anteriores nas taxas de juros. Ontem, o dólar fechou em R$ 2,349, contra R$ 2,174 na reunião anterior do Copom, de 18 de abril;
4) Inflação em alta – O IPCA de abril ficou em 0,58%, maior que o 0,35% esperado pelo mercado. É o terceiro mês seguido em que a inflação fica pior que o projetado;
5) Crise política – O ressurgimento do caso Marka está disseminando mais pessimismo no mercado, o que pode levar a nova deterioração da economia.
A crise de energia e a alta do dólar são o que os economistas chamam de choque de oferta. Nessas situações, segundo a última ata do Copom, os juros devem ser usados apenas de forma preventiva.
A política monetária deve ser endurecida apenas para combater os chamados efeitos secundários do choque de oferta. Ou seja: para evitar que setores da economia que nada perdem com a alta do dólar ou com a crise energética aproveitem a situação para reajustar seus preços.
Os choques de oferta também têm um efeito direto sobre a inflação, pois aumentam o custo de produção de parte das empresas. Mas o Copom considera que não vale a pena elevar os juros para combater essa pressão.
A alta do dólar e a crise energética causam um aumento temporário na inflação, que tende a voltar ao padrão anterior nos meses seguintes. O sistema de metas de inflação tem um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais justamente para absorver a alta de inflação nesse tipo de situação.
Desde a adoção do sistema de câmbio flutuante, em janeiro de 1999, a política de juros do Copom tem o objetivo de controlar a inflação. A alta anunciada ontem significa que havia ameaça ao cumprimento da meta de inflação deste ano, fixada em 4%.

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