Juro pode cair mais sem afastar os investidores, garante Franco
O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, descartou ontem a tese de que as taxas de juros estão no piso, ou seja, no patamar mínimo para manter o interesse do investidor estrangeiro no País. Em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do BC considerou alarmismo do mercado as afirmações de que as taxas de juros não podem mais cair sem afetar o chamado cupom cambial. São os tesoureiros defendendo seus interesses, criticou.
Franco lembrou também que as atuais taxas básicas, que estão em 21,75% ao ano, já chegaram ao patamar vigente antes da crise de outubro do ano passado. A sete dias da reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) - que será realizada no dia 24 para fixar as taxas básicas vigentes até o dia 29 de julho - o presidente do BC disse que as pessoas não podem se deixar levar pelo falatório do mercado, numa referência à análise de que os juros estão no piso.
Segundo ele, a maior parte dos investimentos estrangeiros que têm entrado no Brasil está em forma de investimento diretos ou são destinados às bolsas de valores. Estes recursos, explicou, não são atrelados às taxas de juros ou ao chamado cupom cambial, que é o ganho do investidor estrangeiro no País.
No caso dos investimentos diretos, por exemplo, o dinheiro é destinado principalmente à privatização ou à participação em empresas nacionais. Sobre os recursos aplicados em bolsa, os ganhos ou perdas independem de taxas de juros e estão vinculados ao movimento das ações.
Questionado pelo senador Jeferson Peres (PSDB-AM) se teria sinalizado com a volta do overnight ao colocar títulos pós-fixados no mercado, Franco desfez a idéia de um retorno à época em que as aplicações eram remuneradas diariamente. Segundo ele, com a discrepância entre as taxas ofertadas pelo governo e aquelas demandadas pelo mercado, como tem ocorrido nas últimas semanas, a solução foi recorrer aos pós-fixados que, segundo ele, não passam de papéis indexados utilizados no mundo inteiro.
Sobre a cunha fiscal - também amplamente discutida pelo mercado que prega a redução dos impostos nas aplicações financeiras como alternativa para reduzir as taxas de juros -, Franco afirmou não haver consenso sobre os resultados da queda dos impostos. Os estudos técnicos não são conclusivos sobre as vantagens da redução, disse o presidente do BC. Segundo ele, diminuindo a carga tributária o governo estaria abrindo mão de receira. E tudo poderia ser perdido com a volatilidade dos juros, destacou.Arquivo FolhaAlarmismoO presidente do BC, Gustavo Franco: Não podemos nos levar pelo ao falatório do mercadoAgência Estado





