A taxa de juros de mercado deve cair de 27% para um patamar entre 23% e 24%, hoje, segundo especialistas do mercado ouvidos pela reportagem. Hoje é o dia da reunião mensal do Copom (Comitê de Política Monetária), formado por diretores do Banco Central. No encontro, pode ser usado novamente o chamado ‘‘viés de baixa , mecanismo que permite a redução dos juros.
O Federal Reserve (banco central dos EUA) decidiu ontem manter inalterada a taxa norte-americana de juros (4,75% ao ano). A única mudança foi na tendência, que passou de neutra para a de alta. Ou seja, o Fed pode aumentar os juros quando julgar conveniente.
O mercado brasileiro trabalhava com a expectativa de uma mudança nos juros norte-americanos ontem para conter a inflação no país (que foi de 0,7% em abril). Como isso não aconteceu, abriu espaço para uma queda maior nos juros daqui. ‘‘A posição do Fed já era esperada’’, disse Érico Capelo, da Lloyds Asset Management. Segundo ele, se os juros norte-americanos subissem poderiam causar um desequilíbrio nas aplicações, com os investidores retirando dinheiro de títulos de países emergentes e comprando títulos do Tesouro americano (mais seguros e com maior rentabilidade). ‘‘O dinheiro externo que hoje aceita a rentabilidade paga no Brasil iria pedir um juro maior’’, afirmou. Para ele, o Copom tem ‘‘99,9% de chance de reduzir os juros básicos para 23% ou 24%’’.
Para o BBV (Banco Bilbao Viscaya), a aposta é de um corte radical, também na casa de 23%. Na análise interna do Banco Fator, a redução dos juros é dada como certa. Sua intensidade, no entanto, vai revelar qual a política do BC para o futuro. Se a redução for para 25%, será cautelosa. Se for para 23%, será agressiva. Se optar por uma queda para 24%, será ‘‘precificada (já dada como certa pelo mercado).
O que deve mudar a partir de hoje, segundo analistas, é a intensidade da queda dos juros. Somente neste mês, a taxa Selic (média dos empréstimos de um dia entre bancos, garantidos por títulos federais) já caiu duas vezes: de 32% para 29,5% e dessa faixa para 27%. Agora, as alterações devem acontecer mensalmente.
Vários fatores são apontados como responsáveis pela redução na taxa de juros. Os indicadores econômicos (inflação, atividade econômica e números fiscais) estão melhores do que o esperado. O real não se desvalorizou demais frente ao dólar, e o capital estrangeiro voltou a ingressar no País. No começo do mês, com juros a 32%, as reservas cambiais brasileiras eram de US$ 44,3 bilhões. Anteontem, com juros a 27%, as reservas eram de US$ 44,7 bilhões - o dinheiro continuou entrando, mesmo com a rentabilidade menor. A redução dos juros ajuda as contas do governo, pois diminui o ritmo de crescimento da dívida pública.

mockup