Juro pode cair hoje para 23% ao ano
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Agência Folha 
A taxa de juros de mercado deve cair de 27% para um patamar entre 23% e 24%, hoje, segundo especialistas do mercado ouvidos pela reportagem. Hoje é o dia da reunião mensal do Copom (Comitê de Política Monetária), formado por diretores do Banco Central. No encontro, pode ser usado novamente o chamado viés de baixa , mecanismo que permite a redução dos juros.
O Federal Reserve (banco central dos EUA) decidiu ontem manter inalterada a taxa norte-americana de juros (4,75% ao ano). A única mudança foi na tendência, que passou de neutra para a de alta. Ou seja, o Fed pode aumentar os juros quando julgar conveniente.
O mercado brasileiro trabalhava com a expectativa de uma mudança nos juros norte-americanos ontem para conter a inflação no país (que foi de 0,7% em abril). Como isso não aconteceu, abriu espaço para uma queda maior nos juros daqui. A posição do Fed já era esperada, disse Érico Capelo, da Lloyds Asset Management. Segundo ele, se os juros norte-americanos subissem poderiam causar um desequilíbrio nas aplicações, com os investidores retirando dinheiro de títulos de países emergentes e comprando títulos do Tesouro americano (mais seguros e com maior rentabilidade). O dinheiro externo que hoje aceita a rentabilidade paga no Brasil iria pedir um juro maior, afirmou. Para ele, o Copom tem 99,9% de chance de reduzir os juros básicos para 23% ou 24%.
Para o BBV (Banco Bilbao Viscaya), a aposta é de um corte radical, também na casa de 23%. Na análise interna do Banco Fator, a redução dos juros é dada como certa. Sua intensidade, no entanto, vai revelar qual a política do BC para o futuro. Se a redução for para 25%, será cautelosa. Se for para 23%, será agressiva. Se optar por uma queda para 24%, será precificada (já dada como certa pelo mercado).
O que deve mudar a partir de hoje, segundo analistas, é a intensidade da queda dos juros. Somente neste mês, a taxa Selic (média dos empréstimos de um dia entre bancos, garantidos por títulos federais) já caiu duas vezes: de 32% para 29,5% e dessa faixa para 27%. Agora, as alterações devem acontecer mensalmente.
Vários fatores são apontados como responsáveis pela redução na taxa de juros. Os indicadores econômicos (inflação, atividade econômica e números fiscais) estão melhores do que o esperado. O real não se desvalorizou demais frente ao dólar, e o capital estrangeiro voltou a ingressar no País. No começo do mês, com juros a 32%, as reservas cambiais brasileiras eram de US$ 44,3 bilhões. Anteontem, com juros a 27%, as reservas eram de US$ 44,7 bilhões - o dinheiro continuou entrando, mesmo com a rentabilidade menor. A redução dos juros ajuda as contas do governo, pois diminui o ritmo de crescimento da dívida pública.


