BRASÍLIA - O governo pretende aumentar os juros dos financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para aumentar a remuneração dos bancos. A idéia é atrair outros agentes financeiros para operar com empréstimo habitacional para a classe baixa. Atualmente, a CEF (Caixa Econômica Federal) é a única instituição financeira que financia com recursos do FGTS a construção de moradia popular - para os trabalhadores com renda familiar de até 12 salários mínimos (R$ 1.344).
Os agentes financeiros terão duas opções: cobrar uma taxa de administração de 0,12% do valor do empréstimo - como é hoje - ou um diferencial de juros que variaria de 1% a 2% do valor do saldo devedor. A proposta é do Ministério do Planejamento e será apresentada ao Conselho Curador do fundo na próxima reunião, marcada para o dia 10.
O diretor da Secretaria de Política Urbana do ministério, Edson Ortega, disse que a idéia é atrair os bancos para ampliar as possibilidades de oferta de crédito, embora o total disponível vá permanecer o mesmo. ‘‘Ninguém tem interesse de produzir casas para a baixa renda porque é deficitário. E isso vai na contramão do que quer o governo’’, afirmou. O assessor da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no conselho, André Luiz de Souza, disse que a bancada dos trabalhadores votará contra essa proposta.
‘‘O que vai acontecer é que os bancos só irão financiar as faixas que não são deficitárias e vão esquecer os financiamentos mais baixos’’, afirmou. Segundo Ortega, a CEF tem um custo médio de R$ 21 para os financiamentos habitacionais. As Cohabs (Companhias Estaduais de Habitação) gastam entre R$ 8 e R$ 16 para emissão de carnês.

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