Juro nos EUA vai a 6,5%; bolsas sobem
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Das Agências De São Paulo 
O comitê de mercado aberto do Fed (o banco central norte-americano) decidiu ontem, por unanimidade, elevar em 0,5 ponto percentual a taxa de juros de curto prazo no país, fixando-a em 6,5%, seu maior nível desde janeiro de 1991. O Fed indicou ainda que poderá elevá-la novamente no futuro próximo ao estabelecer um viés de alta para o índice.
Foi o primeiro aumento de 0,5 ponto percentual dessa taxa desde fevereiro de 1995. Isso indica uma preocupação acima do normal das autoridades monetárias com o ritmo de crescimento da economia norte-americana e com sua própria incapacidade de desaquecê-la com aumentos menores dos juros.
O Fed já havia elevado a taxa em 0,25 ponto percentual cinco vezes, desde junho do ano passado, mas esses aumentos não produziram os efeitos desejados.
O PIB dos EUA continuou crescendo em ritmo elevado (6,9% no terceiro trimestre do ano passado e 5,4% nos três primeiros meses deste ano), e a taxa de desemprego ficou abaixo de 4%, o que aumenta os custos salariais.
No comunicado que acompanhou sua decisão de ontem, o Fed anunciou estar preocupado com uma possível continuidade da disparidade entre o crescimento de demanda e a oferta potencial. Ou seja: teme que a economia não consiga fornecer bens e serviços na mesma velocidade com que os consumidores norte-americanos os solicitem.
Mercado As bolsas de valores receberam bem a alta na taxa de juros nos EUA e fecharam positivas ontem no mundo inteiro exceção à quase estabilidade em Buenos Aires. Nos EUA, a Nasdaq subiu 110 pontos, ou 3,05%, para 3.717,53 pontos. O Dow Jones subiu 127 pontos, ou 1,17%, para 10.934,5 pontos. Segundo analistas, os investidores receberam a decisão do Fed com tranquilidade, entendendo que seria pior se a autoridade monetária tivesse elevado a taxa em apenas 0,25 ponto para posteriormente, em sua próxima reunião marcada para os dias 27 e 28 de junho, aumentar os juros de forma mais truculenta.
No Brasil, além dos bons ventos vindos dos Estados Unidos, o alívio com relação a situação econômica na Argentina também contribuiu para o bom desempenho da Bovespa. O índice da carteira teórica paulista subiu 2,02%, para encerrar o dia em 15.360 pontos, entre a mínima de 15.074 pontos e a máxima de 15.445 pontos. O volume financeiro somou R$ 616 milhões.


