Juro nos EUA deverá afetar o mercado para investimentos
Agência Estado
De São Paulo
A semana será de transição e, como tal, de indefinição no mercado financeiro até que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) defina os juros básicos norte-americanos em reunião agendada para 2 de fevereiro. O interesse dos investidores, os locais e os de fora, é saber se e quanto o juro básico norte-americano irá subir antes de tormar suas decisões de investimento.
A percepção é que haverá elevação da taxa básica, que está em 5,5% ao ano, hoje. O grande temor, contudo, é que essa correção seja superior a 0,25 ponto porcentual ou que o Fed também mude o viés (tendência) de neutro para altista, indicando que essa correção poderá ser apenas a primeira de uma série.
Ao manter a taxa básica interna em 19% ao ano, decisão tomada na semana passada em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central brasileiro mostrou estar preocupado com a decisão do Fed. Para o mercado, esse foi o sinal da opção do BC pela cautela, ao menos até que fiquem mais claros também os sinais de que a trajetória da inflação é descendente.
O diretor da Brascan Corretora, José Carlos Batelli, relaciona a preocupação com os juros internacionais ao fato de as Bolsas de Nova York e de Tóquio estarem em níveis quase recordes de alta. Uma puxada mais acentuada dos juros pode provocar uma queda forte das ações, com o investidor correndo para os títulos de renda fixa, remunerados por taxas mais interessantes.
Com a definição dos juros nos EUA, a princípio seria reduzido o grau de incerteza e isso tenderia a engrossar o fluxo de capital estrangeiro para o mercado doméstico de ações, um fluxo que provavelmente já começou, nota Batelli. Afinal, o freio na alta da Bolsa paulista nos últimos pregões traduziu uma combinação de realização de lucros, após as fortes valorizações acumuladas desde novembro, e de apreensão quanto a eventos no mercado internacional.
Um reforço de capital externo deve levar a Bolsa a superar a atual fase de realização de lucros e embicar nova rodada de alta, prevê Batelli. Ele aposta na continuidade da migração dos recursos do mercado de renda fixa para a renda variável e sugere que o investidor ancore aproximadamente 40% dos recursos num fundo de ações tradicional, alocando o restante num fundo de renda fixa. Apenas os mais familiarizados com o risco devem ir para os fundos multicarteira ou de derivativos.
Nos bancos O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse que o BC vai iniciar estudos para padronizar a metodologia de divulgação de taxas de juros no mercado financeiro de forma a aumentar a transparência, comparabilidade e concorrência entre as instituições. Ele afirmou que a tendência é que as taxas passem a ser publicadas dentro do padrão de taxa anual por dias úteis.
Quem quiser confirar as taxas praticadas no mercado pode consultar o site do Banco Central na Internet (www.bcb.gov.br). Na sexta-feira, as cinco maiores taxas de juros do cheque especial ao mês (pré-fixado) eram do Citibank (14,47%), Banco Boa Vista (11,99%), Banco Mercantil-Finasa (11,97%) Banco Santander (11,52%) e Banco Industrial e Comercial (11,44%). A menor taxa era do Banco de Ribeirão Preto com 2,38% de juros ao mês.





