A taxa de juros subiu ontem três pontos percentuais nas operações de overnight (por um dia) com lastro em títulos públicos. A alta já era esperada por muitos executivos financeiros e até para níveis mais elevados, tanto que na abertura do mercado, os bancos ensaiavam negócios a um custo de 35% a 41% ao ano.
Mas eram apenas sugestões de taxas. Negócio mesmo foi fechado somente depois de o Banco Central intervir no mercado, emprestando recursos às instituições financeiras a 32% ao ano (2,26% ao mês) e ‘‘tabelando’’ os juros diários. Na véspera, a taxa média havia ficado em 29% ao ano.
De acordo com Antonio Bornia, vice-presidente do Bradesco e presidente da Associação Brasileiras das Empresas de Leasing (Abel), o atual custo das operações de crédito ao consumidor e de arrendamento mercantil já embute a alta dos juros e, por isso, não haverá necessidade de reajustá-los. ‘‘Depois da desvalorização, houve um ajuste das taxas e não há porque fazê-lo novamente’’, disse, ressaltando que também há necessidade de se esperar para ver a tendência das taxas num prazo maior, para definir novas mudanças nos juros. De qualquer forma, a queda da atividade habitual nos primeiros meses do ano, aliada a um cenário de desaquecimento econômico, inibiam a demanda por operações de crédito.
O BC agiu ontem dentro das decisões tomadas na véspera pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Os juros altos são importantes para estabilizar a taxa de câmbio, cujas cotações oscilam fortemente em mercados que adotam o câmbio livre. Um bom indicador das expectativas do mercado para hoje está nas operações a termo - fechadas ontem a uma determinada remuneração com liquidação nesta quarta-feira. Tais negócios foram feitos entre 3,40% e 3,50% ao mês, percentuais que correspondem a taxas anuais de 33,03%.

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