Juro no Brasil está alto, diz FMI
Agência Estado
De Washington
Os juros reais no Brasil, hoje na faixa de 12% a 13% ao mês, estão um pouco acima do desejável e precisam cair para permitir a projeção oficial de crescimento econômico de 4% no ano que vem, avaliou ontem o economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa.
A expectativa é que, na medida em que aumente a confiança, as autoridades brasileiras alcancem as metas inflacionárias, observou. Com isso, segundo ele, a preocupação do mercado financeiro diminui, abrindo espaço parar a redução do juro real para em torno de 10% ou pouco menos.
Mussa observou que, no passado, juros reais de 10% no Brasil foram consistentes com taxas de crescimento econômico fortes. O economista disse, na apresentação do relatório Perspectivas da Economia Mundial, que discorda um pouco da noção de que o ritmo das reformas econômicas esteja excessivamente lento.
Numa declaração que revela a importância, para o FMI, de exibir o Brasil como exemplo bem-sucedido de sua receita, Mussa afirmou que houve ações significativas no campo fiscal (no País) desde a crise do outono passado.
Se o País for capaz de fazer mais progressos para persuadir o mercado financeiro sobre a permanência do ajuste fiscal, aumentará o espaço para queda dos juros e da carga financeira da dívida interna, acrescentou ele. Há um bom dividendo fiscal em persuadir as pessoas a manter a economia num curso sustentável durante um período prolongado disse Mussa.
O mesmo tom positivo marca também a análise sobre o Brasil contida no relatório divulgado ontem. O País conseguiu recuperar a credibilidade da sua política econômica depois da crise que levou à mudança do regime cambial, afirma o documento. Com base numa recuperação mais rápida do que a esperada, há no Brasil uma firme adoção das políticas de estabilização, que têm levado a uma rápida reconstrução da confiança desde março.
As previsões sobre o Brasil são favoráveis em vários trechos. A do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos (hoje da ordem de 5% do PIB) é de 3,1% em 2000, ante 3,8% até o fim deste ano. Um dos aspectos mais favoráveis está na acelerada redução dos juros, de 45%, em março, para 19,5% ao ano até ontem.





