Os mercados asiáticos foram varridos ontem por uma onda de otimismo criada pela decisão do FED (banco central norte-americano) de reduzir ainda mais as taxas de juros nos Estados Unidos. Governos e bancos asiáticos também planejam cortes nos juros e esperam decisões semelhantes de países europeus.
Bolsas registraram altas expressivas e o iene, que já vinha se fortalecendo há uma semana, chegou a valer 115 por dólar norte-americano no final da tarde de ontem - contra 119 anteontem. A Bolsa de Tóquio subiu 2,1%. Hong Kong, 8,99%. Em Cingapura e na Indonésia, as ações valorizaram 9% e, nas Filipinas e na Tailândia, 7%.
O corte dos juros nos EUA afeta a Ásia de duas maneiras. Ele estimula a economia dos EUA, o que pressupõe um aumento das compras de produtos asiáticos por consumidores norte-americanos.
O corte nos juros também beneficia a Ásia porque reduz os ganhos dos investidores que, depois da crise asiática e russa, se refugiaram em títulos da dívida norte-americana. Em tese, eles se sentirão mais estimulados a voltar para os mercados emergentes - o que beneficiaria também o Brasil. Os governos de praticamente toda a região elogiaram a decisão dos Estados Unidos.
À luz do corte dos juros nos EUA, os bancos em Hong Kong anunciaram ontem a redução em 0,25 ponto percentual (de 5,25% para 5%) das taxas de juros sobre os depósitos. A decisão começa a valer na segunda-feira. Alguns bancos, como o Hang Seng, foram além e anunciaram cortes na ‘‘prime rate’’, taxa cobrada dos clientes com as melhores avaliações de crédito.
O governo japonês esboçou surpresa com relação ao corte dos juros nos EUA. ‘‘Nós esperávamos que os Estados Unidos cortassem (novamente as taxas de juros), mas poucas pessoas imaginaram que isso fosse ocorrer tão cedo’’, disse o ministro de Finanças, Kiichi Miyazawa.
No entanto, vários investidores acreditam que os cortes nos juros dos EUA sejam o resultado de uma ação conjunta dos países do G-7 (sete nações mais ricas), que se encontraram na semana passada na reunião anual conjunta do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Bird (Banco Mundial). ‘‘Há agora a confirmação definitiva de que o G-7 está por trás dessa medida, que vai ajudar a estabilizar a economia global’’, disse Andrew Fernow, da Vickers Ballas Holdings em Hong Kong.
O corte dos juros norte-americanos também está sendo visto como um indício de que os EUA estão vivendo problemas semelhantes aos da economia japonesa. Taichi Sakaiya, diretor da agência oficial de planejamento do Japão, disse que o FED está querendo evitar que os EUA entrem num processo de queda geral de preços que dificilmente seria revertido.Tsuno Yoshikazu/France PresseEuforia na Bolsa de Tóquio, que fechou o pregão com alta de 2,1%Agência Folha

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