São Paulo Os juros ao consumidor registraram um recuo de 9,2 pontos porcentuais desde maio. Em julho, a taxa média de financiamento para aquisição de veículos e outros bens, dos empréstimos pessoais, do cheque especial e do cartão de crédito chegou a 77,1% ao ano. Em abril, estava em 86,3%.
A redução, que se antecipou às quedas da taxa Selic, foi motivada pela fraca demanda por crédito e os baixos índices inflacionários, de acordo com a Partner Consultoria, que faz análises mensais sobre o comportamento dos juros com base nos dados do Banco Central. De abril para maio, as taxas tinham sido cortadas em 2,6 pontos porcentuais. De maio para junho, foram mais 2,3 pontos. Em julho, com o empurrão do Comitê de Política Monetária (Copom), a redução foi de 4,3 pontos.
Das cinco modalidades de crédito ao consumidor pesquisadas, os cartões de crédito são os que apresentam as maiores taxas. Em julho, a taxa chegou a 238,7% ao ano. O cheque especial veio a seguir, com 173,9%. Já o empréstimo pessoal ficou em 91,7%; o de veículos, 42,9%; e a taxa para aquisição de bens, 75,2%. O levantamento não inclui o varejo que mantém o crediário com capital próprio, mas apenas aquele que tem financeira para administrar a carteira, o que significa cerca de 50% do universo total de estabelecimentos que vendem a prazo.
Mesmo com a redução das taxas, os bancos e financeiras emprestaram menos no mês passado. O volume chegou a R$ 24,6 bilhões, valor 2,7% menor do que julho de 2002. O crédito por meio do cheque especial e do empréstimo pessoal puxou o resultado global, com quedas de 7,7% e 5,9%, respectivamente.
Por outro lado, cresceu o montante usado para aquisição de veículos (+18,7%), de bens (+ 7,5%) e ainda o valor destinado ao consumo em geral, por meio dos cartões de crédito (+ 1,8%). Este quadro, de acordo com o sócio-diretor da Partner, mostra uma perspectiva de aquecimento das compras, o que pode ajudar na reativação da economia. Em relação a junho, o volume de novas concessões caiu 9,3%.
Outro dado considerado positivo foi a desaceleração da queda do saldo de crédito (o que foi emprestado e hoje é devido pelo consumidor). Em julho, os bancos e financeiras tinham R$ 81,2 bilhões a receber, um valor 0,5% maior do que junho. A reação interrompe uma queda que começou em outubro de 2002.
A Partner avalia que o total de recursos destinados ao crédito ao consumidor, que atualmente é de R$ 80 bilhões e representa 5,6% do PIB, pode chegar a R$ 200 bilhões até 2010. A estimativa se baseia na trajetória deste indicador a partir do Plano Real, com a estabilização da economia. Em 1995, o volume era de R$ 20 bilhões, o que significava 2% do PIB.

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