A desvalorização cambial ocorrida até agora poderá ter um impacto de 1,5 ponto porcentual na inflação esperada para este ano. A estimativa é do Banco Central e consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi divulgada ontem. De acordo com o documento, os sucessivos aumentos das taxas de juros, que vêm ocorrendo desde março, têm sido adotados com o objetivo de neutralizar estes efeitos e garantir o cumprimento das metas de inflação. Para este ano, a meta é de 4%, com variação de dois pontos para cima e para baixo.
Até agora, os juros já subiram 3 pontos porcentuais, ao mesmo tempo em que o câmbio continua desafiando diariamente o BC. Além de efeitos já constatados nos preços de alguns produtos, como derivados de trigo e cerveja, o Copom admitiu que a desvalorização tem-se refletido também nos chamados preços administrados, que são os preços públicos. E, ‘‘em particular, no preço da gasolina’’, destaca a ata.
Embora tenham reduzido a expectativa para o reajuste dos preços administrados, que passou de 13,6%, constante da ata anterior, para 13,1%, os diretores do BC aumentaram de 2,4% para 2,9% as estimativas para o impacto deste reajuste na inflação do ano.
Até maio, segundo a ata, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado nas metas de inflação, chegou a 2,42%. ‘‘Este valor está acima do previsto’’, diz o documento atribuindo o fato à desvalorização e ao aumento dos preços administrados ter ficado 4,2% acima do que era esperado para o período.
A ata do Copom ressalta que, nas duas semanas anteriores à reunião, que ocorreu nos últimos dias 19 e 20, ‘‘a cotação do dólar registrou um aumento considerável’’. Isto, apesar das ‘‘previsões sobre os impactos econômicos da crise de energia terem se tornado menos pessimistas e do registro de alguma melhora da situação externa’’.
Como já havia ressaltado o presidente do BC, Armínio Fraga, na semana passada, a ata do Copom insiste que ‘‘o comportamento do câmbio apresentou dinâmica própria’’. E, embora previsse que este processo não se sustentaria no médio prazo, principalmente por causa das medidas de intervenção do BC no mercado, que seriam anunciadas no dia seguinte à reunião, o Copom admite ter elevado os juros temendo ‘‘efeitos nefastos sobre a economia’’.

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