Juro maior deve aumentar preços, prevê a Anefac
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
O vice-presidente da Associação Brasileira dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, avaliou que a nova elevação da taxa Selic pelo Banco Central anteontem deve levar algumas instituições e empresas, que não tinham mexido nas taxas na alta de março, a fazê-lo agora. E mesmo as que já tinham já feito o ajuste, devem repeti-lo com o aumento de mais 0,5 ponto porcentual.
Oliveira afirmou que no mês passado, em resposta à primeira elevação dos juros, agentes econômicos, como bancos e empresas, subiram suas taxas alguns utilizaram o aumento de 0,5 da taxa Selic, que é anual, e aplicaram na taxa mensal , mas não de forma uniforme.
O cheque especial e o cartão de crédito ficaram de fora, mas o crédito pessoal de financeiras e os financiamentos de automóveis fizeram ajustes, assim como algumas agências de turismo nas tarifas de passagens aéreas e todos tipos de linha de crédito para pessoas jurídicas, de acordo com levantamento da Anefac. Com a decisão do Copom anteontem, todos devem promover uma nova rodada de aumentos.
Na avaliação de Oliveira, estes ajustes seriam dispensáveis em alguns casos porque há muita gordura na ponta das taxas, sendo que os aumentos poderiam ser absorvidos. A resposta é rápida quando é para aumentar e lenta para baixar, afirmou, referindo-se aos cortes realizados no ano passado que levaram algum tempo para chegar ao consumidor.
Medida acertadaTeoricamente, quando o governo sobe os juros ele fecha o cerco contra a inflação em dois flancos. O primeiro é que ele inibe o crédito (que fica mais caro) e, consequentemente, o consumo. Por isso, economistas como ex-ministro Marcílio Marques Moreira, Odair Abate (do banco Lloyds), Fábio Akira (BBV Banco), entre outros, defenderam ontem a ação do Copom. A maioria dos economistas brasileiros acredita que o governo tomou a decisão mais acertada, entre as opções que lhe cabiam, ao elevar os juros básicos (Selic) para 16,25% ao ano alta de 0,5 ponto percentual.


