Há algumas razões que explicam os motivos pelos quais o consumidor não está conseguindo pagar em dia suas contas, segundo o economista Eduardo Alvarenga, do Dieese. Um deles é a taxa de juros, em média de 6% ao mês. Em crediários de longo prazo, os juros acabam aumentando o preço do produto em até 70%. Os juros de crediário de 6% acontecem quando a taxa de remuneração das cadernetas de poupança está em torno de 1% ao mês e a inflação, em 0,5%.
Uma grande cadeia de lojas, um exempo, vende um televisor Sony, de 21 polegadas, em 16 vezes de R$ 51,10, o que dá R$ 817,60. À vista, o produto sai por R$ 549,00. O consumidor paga por quase duas televisões, pelo preço de uma. A comparação se estende a outros produtos como geladeiras, freezers ou aparelhos de som.
‘‘É preciso distinguir o picareta do inadimplente, que não faz suas compras pensando em não pagar’’, diz Alvarenga. Ele explica que a vontade de consumo represada leva os clientes das chamadas classes C e D ao crediário, sem levar em conta o fato de que os reajustes de salários chegam no máximo a 15%. ‘‘Eles podem estar contando com rendimentos futuros, que podem não se concretizar’’, observa o economista. (M.T.M.)

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