Juro em financiamento ainda é alto
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - As taxas de financiamento caíram ligeiramente, mas ainda estão muito elevadas para as pessoas físicas e jurídicas. A avaliação é de economistas e especialistas em finanças pessoais. Um estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostra que ainda que a taxa Selic caia a 18% em dezembro e os spreads (diferença entre o custo de captação e de empréstimo) cobrados pelo banco permaneçam no mesmo patamar, a taxa média de juros reais nos créditos para as famílias será de 62% ao ano, na entrada de 2004.
O coordenador do curso de finanças pessoais do Ibmec Business School, Roberto Zentgraf, calcula que uma taxa anual desta ordem representará um juro mensal de 4%. ''Isso alivia é claro, comparado às taxas atuais, mas ainda é um abuso. Não é uma coisa civilizada'', comenta o especialista. Segundo ele, se um cliente pegar R$ 100,00 com juros mensais de 4% e pagar depois de 48 meses irá desembolsar R$ 657,00. Caso aplicasse o mesmo valor, recebendo taxa média de 1%, com as atuais, teria ao fim do mesmo período R$ 161,00 na conta.
As projeções do Iedi para os juros para as famílias representa uma média das diferentes modalidades de crédito, como cheque especial, financiamento a pessoas físicas e outros. No caso das empresas, o juro médio na mesma comparação chegaria a 25% ao ano para as empresas no início do ano que vem. ''Ainda é muito alto. São taxas que racionam enormemente o crédito. O governo está agindo na direção certa, mas a intensidade poderia ser maior'', afirma o diretor-executivo do Iedi, Júlio Sérgio Gomes de Almeida.
Desde o fim de junho para cá, a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida em 6,5 pontos porcentuais, para os atuais 20%. Em paralelo, o governo adotou medidas para ampliar o crédito às pessoas físicas e reduziu o compulsório dos bancos, de 60% para 45%. Até agosto, os juros ao ano para as pessoas físicas caíram, em média, de 83,7% para 74,5%, conforme a pesquisa do Iedi. Isso se deveu, basicamente, a uma redução de 6,4% nos spreads, diz o instituto.
O spread, explica Gomes de Almeida, inclui desde os impostos sobre a intermediação financeira, custo bancário, compulsório cobrado pelo Banco Central (BC) e lucro dos bancos. O crédito caro e racionado faz com que o volume de crédito no País represente cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é ''pouquíssimo'', avalia o diretor-executivo do Iedi. A proporção deveria estar hoje em, pelo menos, 50%.
No caso das empresas, não há negócio que remunere o nível dos juros reais estimados para o começo de 2004, argumenta Gomes de Almeida. Um estudo do professor do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Celso Funcia Lemme, mostra que, desde 1995, o maior rendimento médio anual foi de 14,1%, caso do setor farmacêutico. A variação mais baixa no período pesquisado foi de 0,7%, na média, do setor de confecções e têxteis.


