Juro e spread estão menores, segundo o BC
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sexta-feira, 16 de junho de 2000
Agência Estado De Brasília 
Uma queda nas taxas cobradas no cheque especial e o spread bancário (diferença entre a taxa que os bancos captam o dinheiro e a que eles emprestam) abaixo de 40% são as principais novidades do relatório sobre o comportamento dos juros em maio. O documento será divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira.
Para o presidente do BC, Armínio Fraga, houve um avanço na redução do spread, pois há dois anos ele era de 68%. E, segundo admitiu, o spread bancário ficou abaixo de 40% em maio. Em abril, esta taxa estava cravada em 40%.
Os dados serão divulgados pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. Para o diretor, os números são uma surpresa. Isso porque, no final do mês passado ele chegou a prever um aumento generalizado das taxas por causa das turbulências vividas pelo mercado internacional nos meses de abril e maio.
Na época, Figueiredo divulgou os dados de abril e admitiu que o aumento das taxas do cheque especial entre março e aquele mês havia sido uma má surpresa. Da taxa média de 144,8% em março, o cheque especial saltou para 152,3% em abril. Um aumento de 7,5 pontos porcentuais sem que o BC conseguisse explicar as razões.
Figueiredo insiste, no entanto, que o cheque especial é um crédito eventual e, portanto, não deve ser usado continuamente. De acordo com o diretor, tanto os bancos, como os clientes que não conseguem sair do cheque especial vêm negociando para trocar a dívida do cheque por um crédito pessoal que tem taxas mais baixas. No último documento divulgado pelo BC, a taxa de juros média cobrada no crédito pessoal estava em 68,1%.
No BC a avaliação é que a medida mais eficaz para reduzir os juros e o spread bancário é baixar o compulsório sobre o depósitos à vista. Em setembro do ano passado, portanto um mês antes de o governo anunciar um pacote de 21 medidas para reduzir os juros, o BC baixou o compulsório de 75% para 65%. Em março ele caiu para 55% e, na semana passada, para 45%.
Dados do BC indicam que 80%, ou R$ 2,4 bilhões, dos R$ 3 bilhões liberados com a redução de março foram destinados a novas operações de crédito. Com a terceira queda do compulsório mais R$ 3,3 bilhões serão injetados na economia até o próximo dia 3. Segundo Figueiredo, a expectativa é que, no prazo de quatro ou cinco meses, os bancos destinem 100% destes recursos a empréstimos e financiamentos.
Em fevereiro, o diretor anunciou que o Banco Central estudava medidas que forçassem uma queda das taxas no cheque especial. Passados quatro meses, elas não foram divulgadas. Ele admite, no entanto, que, especificamente no cheque especial, a ação do BC é limitada. Isso porque o cheque especial é um crédito onde a concorrência é difícil.
Por isso a ação do BC por meio da redução do compulsório. Mesmo sendo um produto de concorrência difícil, vários bancos têm investido na propaganda do cheque especial com taxas decrescentes ou sem cobrança por um determinado período para chamar novos clientes. Aliás, o cheque especial tem atraído muito os bancos estrangeiros pelo alto retorno. E também pela facilidade deste retorno.


