Juro e IPI mais altos inibem o mercado de carros
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quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Josoé de CarvalhoTabela remarcadaNovos carros que chegarem às revendas vão estar entre 3% e 5,5% mais caros por causa do aumento do IPIJá não se vende tanto carro em Londrina como no mês passado. O movimento nas concessionárias, que vem caindo desde a explosão das bolsas no mundo, cerca de 20 dias atrás, promete recuar ainda mais com a alta imediata das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados: carros e bebidas, no caso. Enquanto o governo espera uma receita adicional de R$ 800 milhões com a medida, o setor amarga previsões de baixa na comercialização.
Renato Sarzano, diretor comercial de duas revendas Fiat na cidade, explica que o reajuste do IPI atinge o carro nacional e o importado, elevando o preço do produto em 3% a 5,5%, dependendo da categoria em que o veículo esteja enquadrado no IPI. Se o carro popular custa em média R$ 12 mil, a partir de hoje ele vale R$ 12.600. É o preço que o consumidor paga pelo aumento do IPI. Mas ainda tem estoque na cidade com IPI velho.
Antes da queda das bolsas internacionais o mercado estava uma maravilha, ou seja, vendia-se bem e com boas previsões para o Natal, o Ano Novo. A partir do momento em que a mídia voltou-se exclusivamente para o mercado de capitais, o movimento das bolsas, a reação do consumidor foi outra. Ele ficou arredio, pelo que conta o diretor. Hoje, então, com o lançamento do pacote, a tendência é que esse mesmo consumidor se afaste por um tempo do mercado.
Sarzano - que é contra o raciocínio de que um crash afeta a vida do cidadão comum - fala que por conta das últimas medidas, montadoras como a Fiat já refazem algumas estratégias de venda. Cita o caso de um modelo de R$ 10.560 que entrou no mercado com desconto de R$ 1.000 praticamente. Isso já não vai acontecer mais, observa. Não estou desesperado, não, mas o que se espera é um novembro ruim e um dezembro comprometido.
O diretor comenta que a revenda e a montadora estão trabalhando como antes, acreditando que se o governo manter o cliente da marca empregado, tudo bem. Decidimos absorver boa parte do aumento dos juros e temos boas alternativas de venda, afirma Sarzano, citando taxas de juros de 1,5% a 1,6% ao mês mais a variação do dólar, passando agora para 1,65% ao mês. Mesmo com a alta, um financiamento do gênero sai mais barato que o prefixado, cuja taxa salta de 2,9% para 3,8% ao mês.
Outras revendas da cidade, como a Ford e a Volkswagem, estão em compasso de espera, evitando maiores comentários sobre o comportamento do mercado consumidor e as vendas. Ainda não sabemos direito como é que fica tudo no País; acredito que teremos esta resposta só na semana que vem, resume o gerente da concessionária Volks, Massaru Takahara. Na Ford, Anibal de Pádua Lemos destaca a diferença dos preços nas modalidades dólar e prefixado, mas diz que não se sabe até quando vai ser assim.
Quanto aos preços dos combustíveis, que sobem em média 5% na próxima segunda-feira, o delegado local do sindicato dos revendedores, Pelágio Maluf, informa que os cerca de 84 postos de Londrina devem simplesmente repassar a alta para o consumidor, sem confusão, sem correria. O preço mínimo da gasolina deve subir de R$ 0,68 para R$ 0,71.


