Os juros subiram ontem como reação do mercado à decisão de anteontem do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter inalterada a taxa Selic em 15,25% ao ano, sem viés. Apesar de a manutenção da Selic não ter sido uma surpresa, os preços dos ativos embutiam a perspectiva de queda de 0,25 ponto porcentual. O ajuste, portanto, era uma consequência natural.
O contrato de DI futuro para outubro, o mais negociado na BM&F, começou o dia perdendo cerca de cem pontos, mas, ao final dos negócios, recuperava espaço, com a queda no preço se reduzindo para 70 pontos. Também foi registrado aumento de negócios com títulos do Tesouro no mercado secundário. Sinal de que investidores passaram às compras considerando que os prêmios ficaram bem interessantes com a manutenção dos juros.
A Bovespa não sustentou a valorização de até 0,82% registrada pela manhã, apesar da forte alta da Nasdaq, superior a 3% durante toda a tarde. O índice da carteira teórica paulista fechou em queda de 1,07% e o volume financeiro somou R$ 602 milhões. Na bolsa eletrônica americana, todo o setor de tecnologia foi beneficiado pelo balanço da Ciena – fabricante de redes óticas –, que superou em muito as expectativas dos analistas. A empresa norte-americana anunciou lucro líquido de US$ 54,1 milhões, ou US$ 0,18 por ação, nos três meses até 31 de janeiro. A expectativa era de um lucro de US$ 0,15 por ação.
O dólar comercial recuperou-se no fechamento da queda registrada na maior parte do dia, para encerrar em estabilidade, cotado na venda a R$ 1,99. Analistas afirmaram que a manutenção da Selic em 15,25% ao ano e a expectativa para ontem de fechamento da venda da Caixa Seguros para uma empresa estrangeira, o que se confirmou por volta das 15h30, estimularam vendas de dólar, com consequente queda de preço. No dia, o comercial oscilou 0,45%, entre a mínima de R$ 1,981 (-0,45%) e a máxima de fechamento. O giro financeiro no D2 ‘‘pronto’’ cresceu 42,46%, para cerca de US$ 2,607 bilhões, ante cerca de US$ 1,830 bilhão registrado ontem.
(Marisa Castellani, Márcia Pinheiro e Silvana Rocha)

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