Agência Estado
De São Paulo
O otimismo com o cenário econômico foi reforçado graças aos importantes avanços no quadro fiscal brasileiro obtidos pelas recentes vitórias do governo no Congresso, na avaliação da economista-chefe do Banco Bandeirantes, Carolina Abreu. A aprovação, ainda que parcial, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e da proposta de Desvinculação das Receitas da União (DRU) possibilita que o governo tenha maior controle dos gastos públicos e, portanto, da política fiscal.
O quadro geral é favorável, mas Carolina destaca duas fontes de incerteza, uma doméstica e outra internacional, que podem afetar o mercado financeiro. Internamente, segundo ela, a preocupação é com o comportamento da inflação espelhada no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). ‘‘Existe expectativa de pressão sobre o IPCA que pode pôr em risco o cumprimento de metas de inflação no segundo e terceiro trimestres’’, comenta.
Essa perspectiva não é novidade para o mercado financeiro, mas a possível dificuldade para o cumprimento de meta inflacionária pode criar desconforto e adiar a retomada da política de redução dos juros pelo Banco Central. ‘‘As taxas de juros não devem retomar a tendência declinante tão cedo.’’
O foco de preocupação internacional está na tendência dos juros norte-americanos. A decisão será tomada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na reunião de quarta-feira e teme-se que uma alta dos juros superior à estimada pelo mercado venha a afetar as bolsas, principalmente.
Carolina prevê um avanço de 0,25 ponto porcentual, que moveria o juro básico de 5,50% ao ano para 5,75%, e a manutenção do viés (tendência) neutro. Não descarta, contudo, um aumento maior. ‘‘Uma alta de 0,50 ponto ou uma mudança de viés, de neutro para alta, provocaria tensão no mercado.’’
As medidas de flexibilização cambial que favorecem a entrada e movimentação de capitais, adotadas pelo Banco Central na semana passada, favorecem a bolsa e a taxa de câmbio, afirma. A cotação do dólar deve permanecer abaixo de R$ 1,80.
A economista-chefe do Bandeirantes diz que o cenário é positivo para a bolsa, mas as incertezas com o EUA sugerem que o investidor deve ser cauteloso e aplicar no máximo 30% do capital num fundo de ações. Uma parcela maior de recursos, no caso 70%, deve ser ancorada num fundo DI, cuja remuneração é definida pelos juros correntes, ‘‘uma boa opção para esse período de incertezas também com os juros’’.

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