Juro do cheque especial vai a 146,4%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de março de 2005
Folhapress 
Brasília - A taxa média de juros do cheque especial chegou a 146,4% ao ano em fevereiro, a mais alta desde ao novembro de 2003 (146,5%). Em janeiro, a taxa era de 144,6%. Essa é a modalidade de crédito que tem o maior custo, ou seja, a taxa de juros mais elevada, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC).
No início do ano, a demanda por crédito de curto prazo, como cheque especial, costuma ser maior. Isso porque as famílias precisam quitar uma série de compromissos, como IPTU e IPVA. Além disso, as elevações na taxa básica de juros da economia, a Selic, têm contribuído para o aumento do custo do dinheiro - taxas cobradas nas operações de crédito. ''As taxas estão em linha com a política monetária'', diz Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC. Desde setembro, o BC já elevou a Selic, que hoje está em 19,25% ao ano, por sete vezes consecutivas.
A taxa de juros cobrada nas operações de crédito pessoal subiu 0,8 ponto percentual de janeiro para fevereiro, e chegou a 75,3% ao ano. Esse aumento só não foi maior porque os juros cobrados nas operações de crédito consignado -desconto em folha - ficaram praticamente estáveis no mês passado, em 39,4% ao ano, ante 39,3% ao ano em janeiro.
A taxa para as pessoas físicas - média de todas as modalidades - ficou em 64% ao ano, contra 63,4% no mês anterior. ''Hoje você tem a possibilidade de migrar para modalidades de custo mais baixo, como (sair) do cheque especial (e ir) para o crédito consignado'', disse Altamir.
No caso das empresas a taxa média cobrada pelos bancos aumentou 0,2 ponto percentual de janeiro para fevereiro, chegando a 32,4% ao ano. A taxa média geral, que inclui as operações de pessoas físicas e jurídicas feitas por meio de recursos livres, ficou em 47,5% ao ano em fevereiro, também a maior taxa desde novembro de 2003 (48%).
O ''spread'' bancário - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - ficou em 28,8 pontos percentuais em fevereiro, considerando empresas e pessoas físicas. Era de 28,5 pontos em janeiro.
A inadimplência ficou estável em fevereiro, em 7,3%. A estabilidade foi verificada tanto na inadimplência para pessoas físicas, que ficou em 12,4%, como para pessoas jurídicas, que permaneceu em 3,6%.
As operações de crédito - somando os recursos livres e direcionados, como financiamento habitacional - chegaram a R$ 498,3 bilhões em fevereiro, um crescimento de 1,4% em relação ao mês anterior. O valor representa 26,7% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas por um país), ante 26,5% em janeiro e 25,3% em fevereiro de 2004.


