Com a turbulência dos mercados financeiros, no mês passado, as taxas de juros das operações de crédito no mercado brasileiro tiveram pouca retração em relação a março, passando da média de 58,3% ao ano para 58,1%. Ao mesmo tempo, o cheque especial voltou a surpreender o Banco Central e deu novo salto. Na média, as taxas cobradas nestas operações passaram de 144,8% ao ano para 152,3%. Ao divulgar os dados ontem, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, admitiu que a continuação da instabilidade pode ter provocado uma elevação das taxas este mês. ‘‘As taxas em maio podem ter subido’’.
Nas operações com pessoas físicas, as taxas de juros passaram da média de 78,3% ao ano para 77,8%. Enquanto o cheque especial subiu, o crédito pessoal caiu de 68,9% para 68,1%. Nos empréstimos e financiamentos concedidos a empresas, os bancos também não fizeram mudanças significativas nas taxas cobradas, pois a média passou de 46,2% para 45,7%. Figueiredo disse que, embora os juros das operações de crédito continuem com tendência de queda, não necessariamente vão cair todos os meses. Em relação ao cheque especial, o diretor garantiu que o BC foi surpreendido com o aumento. ‘‘Nós não esperávamos’’, afirmou.
Mas explicou que, especificamente nestas operações, as taxas subiram porque os bancos também aumentaram a parcela de ganho que têm entre os juros que oferecem na captação e o que cobram dos clientes. Ou seja, o ‘‘spread’’. No cheque especial, o spread passou de 126,8% para 134,2%.
Enquanto isso, na captação de Certificados de Depósitos Bancários (CDB), os juros oferecidos pelos bancos aos clientes que aplicam recursos passaram de 18% ao ano para 18,1%.
Figueiredo disse que há um trabalho que os próprios bancos vêm fazendo com os clientes que têm permanecido no cheque especial. Segundo o diretor, algumas instituições estão chamando estes clientes e sugerindo que eles tomem um crédito pessoal para cobrir o cheque. ‘‘Tem cliente que quando entra no cheque especial não consegue mais sair’’, destacou. Do ponto de vista do banco, ele disse que é mais negócio transferir o cliente para o crédito pessoal porque a instituição pode ter um retorno mais seguro. Mas Figueiredo reconheceu que o BC tem dificuldades para adotar medidas mais efetivas que forcem uma queda das taxas no cheque especial.

mockup