Juro dispara e assusta mercado
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terça-feira, 13 de março de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
As taxas de juros dispararam ontem e deixaram o mercado pessimista. Analistas passaram a não acreditar na possibilidade de o governo cortar a taxa básica na reunião do Comitê de Política Monetária na próxima semana. Todos os contratos DI (Depósito Interbancário), que representam as projeções dos juros, negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) fecharam em alta.
O contrato de prazo mais curto, o DI de abril, fechou com taxa de 15,20%, quase a mesma da atual Selic (taxa básica), que está em 15,25% ao ano. Já o contrato mais negociado, com prazo em outubro, fechou em 16,10%.
O economista-chefe do ABN Amro, Hugo Penteado, afirma que as incertezas em relação ao cenário externo e à trajetória futura do dólar não vão permitir a redução na taxa básica. Alteramos até nossa projeção para a Selic no fim do ano, que passou de 13% para 14%.
O câmbio continuou pressionado, com o dólar fechando em R$ 2,063, em alta de 0,15% no ano, a valorização atinge 5,74%. A manutenção das cotações em níveis elevados já preocupa alguns analistas, que começam a questionar se, num ambiente de crescimento mais forte da economia, o repasse da desvalorização do real para os preços não será mais intenso daqui para a frente.
O governo também sentiu a pressão do mercado e teve de pagar mais para rolar sua dívida. O Banco Central pagou taxa de 10,44% pelo lote de R$ 2,02 bilhões de NBC-Es (títulos corrigidos pela variação cambial mais juros prefixados) com vencimento em dezembro de 2003.
Após o terremoto de anteontem, a Nasdaq avançou 4,75%, com 2.014,78, depois de ter fechado em baixa de 6,3% anteontem. É a maior alta em dois meses. Já o índice Dow Jones teve alta de 0,81%, fechando com 10.290,80. Anteontem havia recuado 4,1%. Na Argentina, a queda foi de 0,45% anteontem a queda havia sido de -2,36.
A Bolsa de Valores de São Paulo não acompanhou a forte valorização da Nasdaq. A alta do Ibovespa índice que reflete o preço das ações mais negociadas foi pequena, de 0,36%.


