Juro deverá cair com Lula ou Alckmin
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sábado, 07 de outubro de 2006
Renée Pereira<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma das únicas certezas do mercado para 2007 é que a curva de juros continuará decrescente, salvo algum desastre na economia mundial. A aposta, independentemente de quem estará no próximo governo, se Alckmin ou Lula, está ancorada no pífio crescimento econômico do País, bem abaixo dos demais emergentes, e na inflação abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5% para 2006.
A expectativa é que a taxa Selic termine este ano entre 13% e 13,5% - a menor dos últimos 31 anos. Em 2007, segundo a previsão dos analistas, os juros cairiam para 12% e, em 2008, para cerca de 10,5%. Mesmo assim, a taxa real, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, continuaria como uma das maiores do mundo, já que os índices de preços devem continuar em níveis considerados reduzidos.
Hoje a taxa de juro real brasileira está em 9,4% e pode cair para 8,9% se o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir baixar a Selic em mais 0,5 ponto porcentual na reunião dos dias 17 e 18. As taxas de juro real da Turquia, China e México estão em 5,1%, 4,9% e 4,4% ao ano, respectivamente, segundo a UP Trend Consultoria Econômica.
Os cenários traçados pelos analistas embutem um ambiente externo tranquilo com uma desaceleração gradual da economia americana e um ajuste suave do preço das commodities. ''Não acreditamos numa recessão que pegue o mundo no contrapé. O banco central americano tem sinalizado que deve manter a taxa neste ano, podendo reduzi-la a partir de 2007'', diz o economista da consultoria MB Associados, Sérgio Valle.
O economista do Banco Real, Jankiel Santos, lembra que o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima o crescimento da economia mundial e de alguns preços de commodities. ''O mundo está crescendo mais que nos últimos 20 e 30 anos'', afirma ele.
Por esse motivo, boa parte dos economistas acredita que o Banco Central (BC) foi muito conservador no recuo da Selic este ano e perdeu uma grande oportunidade de dar um salto na ritmo da atividade econômica. Desde setembro de 2005, quando o Copom iniciou o ciclo de aperto monetário, a Selic caiu 5,5 pontos, de 19,75% para 14,25%. Trata-se do mais longo período de redução dos juros desde a criação do Comitê. Apesar disso, a atitude poderia ter sido mais agressiva, avaliam analistas. Além da inflação baixa, o crescimento econômico apresentou desempenho decepcionante no primeiro semestre - de 2,2%. Enquanto isso, a previsão é que a China cresça 9,5%; a Índia, 7,3%; e a Rússia, 6%.
''Daria para ter reduzido a taxa mais rapidamente, mas por um viés ideológico optou-se por um conservadorismo exacerbado'', afirma o economista da RC Consultores, Fábio Silveira. Para ter idéia, diz ele, na última ata do Copom os dirigentes ainda demonstravam temor quanto ao preço do petróleo, que já estava em queda. Na opinião dele, se for mantido o governo atual, o ritmo de queda dos juros continuará lento.
Até porque o BC vai querer avaliar o impacto da queda dos juros na economia. ''É uma situação nova. Nunca tivemos juros tão baixos com inflação tão baixa'', afirma Santos. A expectativa do mercado e do setor produtivo é que a possível entrada de Geraldo Alckmin acelere a queda dos juros. Mas o economista do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, lembra que é no primeiro ano de um governo que se faz todo tipo de maldade.


