Agência Estado
De Brasília
Com um cenário externo tumultuado na América Latina e indefinições no mercado interno, o Comitê de Política Monetária (Copom) não tem espaço para reduzir as taxas de juros básicas na reunião que realiza hoje. A opinião é do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. Ele admite, no entanto, que por questões políticas o Copom decida por uma redução mínima das taxas que estão em 19,5% ao ano. ‘‘Se houver queda, não será mais que 0,5%’’, aposta.
Para justificar sua avaliação, o ex-presidente do BC disse que, enquanto no mercado interno não há indícios que o governo poderá ter um segundo semestre positivo, com o avanço das reformas, no cenário externo há problemas em vários países da América Latina que provocam uma retração no investidor externo.
Ele citou o Equador, com problemas para o pagamento da dívida externa, a Colômbia, com conflitos internos, a Venezuela, nas disputas políticas, e, ainda, eleições na Argentina e no Chile. Todos estes aspectos, segundo o ex-presidente do BC, devem ser pesados pelo Copom para definir as taxas.
Embora o atual presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e os demais integrantes do Copom insistam que, a partir do sistema de metas de inflação a preocupação ao fixar as taxas de juros sejam os índices, Loyola lembrou que a pressão que o câmbio vem sofrendo tem sido provocada por causa das condições externas.
Em sua avaliação, no atual taxa de câmbio está pressionada e já tem reflexos nos preços no atacado. O que pode gerar inflação. ‘‘O Banco Central não pode deixar a taxa de câmbio pressionada’’, disse Loyola.
Segundo ele, a possibilidade de aumento de inflação criaria expectativas negativas uma vez que a sociedade já demonstrou que não quer o retorno de processos inflacionários. Além disso, Loyola ressaltou que o presidente Fernando Henrique Cardoso é muito identificado com estabilidade e picos inflacionários seriam ruins do ponto de vista político. Todos estes aspectos, insistiu Loyola, justificam a manutenção das taxas de juros.
Apesar de ter considerado importante a divulgação do orçamento do próximo ano muito positiva, Loyola disse que, embora o governo tenha mostrado como quer chegar ao superávit primário de 2,65% no próximo ano, também deixou claro que o caminho a percorrer é sofrido.

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