Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O coordenador de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco, alertou que ‘‘não há com que se surpreender’’ com uma recuperação do valor do dólar, depois da queda da taxa de juros decidida ontem pelo Banco Central (BC). ‘‘O dólar vai aumentar porque está muito baixo, por causa da taxa de juros elevada’’, previu o economista. ‘‘Câmbio e juros são variáveis muito relacionadas’’, lembrou.
Na avaliação de Castello Branco, o BC, com a medida tomada ontem, iniciou um novo processo de redução da taxa de juros. ‘‘Há condições para se chegar a uma taxa de 17% nos próximos meses’’, informou o economista. ‘‘É possível que, nas próximas semanas, haja uma nova redução da taxa de juros’’, disse. A redução não vai ter efeitos nos índices de inflação, ressalvou o coordenador da CNI. ‘‘Há espaço para a economia crescer sem pressão inflacionária.’’
As pressões inflacionárias esperadas nos próximos meses, do reajuste de tarifas e do vestuário, já têm seus efeitos calculados, afirmou Castello Branco, e não chegam a representar uma ameaça para o desempenho da economia. ‘‘O que afeta mais são ações não previstas’’, informou. O economista lembrou que a pressão dos preços das novas coleções de vestuário, com o inverno, afetam mais o índice de inflação da Fipe, porque as roupas de frio têm mais procura em São Paulo e na região Sul do País. ‘‘Nos índices nacionais, a influência é mais suave.’’
Barreira psicológica – O gerente do Departamento Econômico do BNDES, Fábio Giambiagi, disse ontem que a decisão do Banco Central de reduzir a Selic para 18,5% quebrou uma forte barreira psicológica que era a dos juros em 19%. Segundo ele, toda vez que a taxa chegava nesse patamar, voltava a subir. Agora, segundo ele deve haver reduções em todas as próximas reuniões do Copom, nos próximos dois anos.
Ele acredita que a Selic cairá cerca de 3 pontos percentuais ao ano, chegando ao final de 2002 em 12,5%. Essa projeção, segundo ele, se concretizará se mantidas as atuais condições da economia brasileira, com inflação em queda, melhoria da balança comercial, aumento das reservas internacionais e melhoria das contas fiscais.
Na avaliação de Giambiagi, a TJLT também vai cair. Ele aposta em uma redução de 0,5 ponto percentual a cada trimestre. A queda dos juros deverá ter impacto bastante positivo no déficit nominal do governo, que atualmente é o menor desde 1981, de acordo com o economista.
Na avaliação do economista-chefe do BBV Brasil, Octávio de Barros, a redução na Selic já era esperada e pode haver uma redução de até meio ponto percentual nas taxas de juros na próxima reuniçao do Copom. Isso porque o IPCA de março será de 0 25%, segundo ele, o índice que corresponde à metade do consenso entre os economistas (0,5%).
Ele acredita que com a queda nos juros o real poderá até registrar alguma desvalorização. Winston Fritsch, presidente do Dresdner Bank Brasil, também confirma que a redução na Selic já era esperada, pois os indicadores de inflação e os números fiscais eram um cenário confortável para o Banco Central. Ele acredita que, embora as notícias sobre o petróleo não sejam tão boas, o Banco Central foi coerente ao esperar a divulgação de alguns números da economia e fazer uma queda mais acentuada dos juros, em vez de fazer uma ‘‘quedinha’’ sutil na reunião da semana passada.

mockup