Agência Folha
De São Paulo
Os bancos começam a reduzir, a partir de hoje, os juros cobrados pelos empréstimos a empresas e consumidores, por conta da redução do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista. O corte é inferior a um ponto percentual. No Unibanco, a taxa máxima do cheque especial cai hoje de 11,7% para 11,4% ao mês. A mínima permanece em 6,8%. Os juros do crédito pessoal, que variavam de 4,9% a 6% ao mês, recuaram para um intervalo entre 4% e 5,5%. A redução só não foi maior por causa da inadimplência ainda elevada. ‘‘Onde tem muito risco tem de ter taxa alta’’, diz Rogério Estevão, diretor de produtos.
Segundo ele, os juros cobrados nos financiamentos de veículos caíram mais porque oferecem menos riscos – as garantias dadas pelos clientes são mais sólidas. Nessas operações, o Unibanco cobrava, em março, 4,5% ao mês – hoje, cobra 2,5%.
No Banco do Brasil, a taxa do cheque especial recua hoje de 9,4% para 8,9% ao mês. Para clientes que recebem salários e têm cartões de crédito do banco, a taxa cai para 7,4% ao mês. Nas operações de crédito pessoal, os juros do BB caíram de 5% para 4,7% ao mês. No cartão de crédito, de 9,5% para 8,9%.
O Bradesco passa a cobrar, a partir de segunda-feira, no cheque especial, 10,9% ao mês (hoje, 11,5%). No crédito pessoal, a taxa cai de 5,5% para 5% ao mês. Nos financiamentos de veículos, em que o Bradesco detecta maior procura, a taxa, que variava de 2,6% a 4% ao mês, recua para 2,5% a 3,8% ao mês. Para as empresas, as taxas para desconto de duplicata caem de 3,5% para 3,4% ao mês.
‘‘Apesar de a redução do compulsório começar a vigorar em 1º de outubro, nós nos antecipamos na redução das taxas’’, diz Antônio Fernando Burani, diretor-executivo do Bradesco. A Nossa Caixa Nosso Banco reduziu apenas a taxa para desconto de duplicatas, que passou ontem de 2,9% para 2,7% ao mês.
Na área das financeiras, a avaliação é de que o efeito da redução do compulsório é quase nulo porque essas instituições não trabalham com depósitos à vista, segundo a Acrefi (entidade que representa o setor). Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), afirma ser positiva a redução do compulsório, mas acha que pouco vai mudar em termos de taxas de juros. O que falta, segundo ele, é uma pressão do governo sobre o sistema financeiro, pois ‘‘nada justifica a cobrança de juros de até 300% ao ano, quando a taxa básica está em 19,5%’’.

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