Pelo segundo mês consecutivo, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu aumentar os juros da economia brasileira. Desta vez, o aumento foi de 0,5 ponto percentual e a taxa Selic foi fixada em 16,25% ao ano. No mês passado, o Comitê surpreendeu o mercado financeiro ao aumentar os juros da economia brasileira para 15,75% ao ano.
O viés da taxa Selic foi mantido em neutro, o que significa que o presidente do BC, Armínio Fraga, não poderá efetuar novo aumento antes da próxima reunião do Copom, marcada para os dias 22 e 23 de maio, sem convocar uma reunião extraordinária do Comitê. Também não poderá reduzir os juros.
A decisão veio em linha com o que acreditava parte dos analistas. Estes, tinham a expectativa de que o BC aumentaria novamente os juros mesmo com a decisão do FED (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) de reduzir ontem os juros norte-americanos. Outros, após a decisão da autoridade monetária norte-americana, passaram a acreditavam que o BC manteria os juros no atual patamar.
Durante o dia, a euforia no mercado internacional com o corte de juros nos EUA esquentou os negócios na Bolsa paulista, que subiu 4,31%, a maior alta em um dia desde 3 de janeiro, e fez o preço do dólar recuar 0,73%. Analistas e investidores acreditavam que o dia ontem fosse relativamente calmo, com o mercado doméstico na espera do resultado da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre os rumos dos juros básicos no Brasil, que sairia só após o encerramento dos negócios.
A quarta-feira foi agitada. O volume movimentado na Bovespa, de R$ 2,158 bilhões, foi o segundo maior neste ano e perdeu apenas para o giro do último dia 6, quando o Santander injetou R$ 2,275 bilhões no mercado para comprar as ações do Banespa. Mesmo descontados os R$ 664 milhões relativos ao vencimento de opções do índice futuro da Bolsa, o volume de ontem ficou acima da média diária das últimas semanas, que tem permanecido em torno dos R$ 600 milhões.
‘‘Mas o movimento de hoje não indica uma mudança de tendência. O mercado acionário está muito volátil e qualquer indicador menos positivo que sair pode voltar a derrubar a Bolsa’’, afirma Lucio Graccho, diretor de renda variável do HSBC Brain. A desvalorização do dólar, que fechou vendido a R$ 2,182, foi mais intensa no início do dia, logo após a divulgação do corte dos juros feito pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
No fim da manhã, a moeda norte-americana chegou a ser negociada com baixa de 1,41% (vendida a R$ 2,167). Mas a valorização do dólar em relação ao real em 2001 ainda está elevada, próxima de 12%. A captação de US$ 441 milhões que o Banco Central fez ontem na Europa também ajudou a melhorar o humor no mercado de câmbio.
Como o principal ponto de pressão sobre o preço do dólar é a falta de moeda para negociação, a entrada desse montante deve aliviar um pouco a pressão. A valorização do dólar nas últimas semanas ilustra a insegurança das empresas e das instituições financeiras em relação ao desenvolvimento da crise na Argentina e ao desaquecimento da economia norte-americana.
Com medo de que a alta do dólar se intensifique, as instituições e companhias compram a moeda dos EUA para tentar se proteger (fazem ‘‘hedge’’), pois têm despesas e dívidas em dólares que vencem no futuro. Ao aumentar as compras de dólares, o preço aumenta: em um momento de crise, quem tem a moeda em seu poder só a vende por preço mais elevado.
Apesar de ter a segunda maior alta do ano, o Ibovespa – índice que reflete o comportamento dos 56 papéis mais negociados na Bolsa – não conseguiu superar os 15 mil pontos, fechando em 14.495 pontos. O diretor de gestão da LAM (Lloyds TSB Asset Management), Marcelo Maneo, diz que o desgaste político com a CPI da corrupção é um fator negativo, no qual o mercado estará atento nos próximos dias. Neste ano, a Bolsa ainda está no vermelho, com desvalorização acumulada de quase 2%.

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